
Não Monogamia Consensual
Como é o ACB do Amor nas Relações Não Convencionais
Nos últimos anos, a sexóloga, psicóloga e mentora em não monogamia consensual, Marina Rotty, percebeu um grande aumento nas relações não convencionais. “A pandemia foi um momento importante na história dos relacionamentos onde nos foi dada a oportunidade de realmente conviver com nossas parcerias”, conta.
Para Marina, foi possível identificar que nem tudo funcionava como se imaginava, fazendo com que parceiros insatisfeitos com suas relações procurassem alternativas mais adequadas. “E como o divórcio costuma ser o último recurso, muitos casais saíram em busca de ver o que anda funcionando para outras pessoas”, afirma.
Nessa busca para diversificar a relação existente ou então engatar em uma nova, não é difícil ficar perdido com tantos conceitos. Para Marina, um caminho é ver os relacionamentos em dois grupos, exclusivos e não exclusivos. “E dentro de cada relacionamento, também temos dois eixos: afetivo e sexual. Cada parceria se encontra em um ou mais pontos dentro desses quatro eixos”, explica Marina.
De acordo com Marina, os mais falados hoje são:
- Monogamia: relação exclusiva, tanto sexual quanto afetiva.
- Relacionamento Aberto: relação exclusiva no campo afetivo e não exclusiva no campo sexual.
- Não-Monogamia: relação não exclusiva, nem no campo afetivo, nem no sexual.
Além disso, a especialista esclarece que outras relações, como swingers, liberais e poliamoristas – onde se encaixam os trisais – estariam dentro do termo Não Monogamia Consensual (NMC). “O NMC é utilizado em pesquisas acadêmicas para se referir ao conjunto de relacionamentos onde há um núcleo principal, no caso, um casal ou uma parceria”, afirma Marina. Esse núcleo está sempre em primeiro plano, por exemplo: um casal cis, onde ele ou ela decidem juntos onde, quando e com quem um ou outro vai se relacionar.
Segundo Marina Rotty, nesse consenso, eles podem interferir na escolha um do outro, deixando ou não, que o envolvimento com um terceiro aconteça. Apesar desses termos, a psicóloga ressalta que o ideal seria que cada casal encontrasse sua forma de se relacionar. “Além disso, nem todos os que vivem relações não convencionais concordam, gostam ou se rotulam com esses termos.”
Especialista em relações não convencionais, de 10 anos em consultório, quatro deles foram focados no tema, Marina percebeu, durante seus atendimentos, uma tendência individual que chamou de orientação relacional. “Apesar de escassos, já existem estudos e pesquisas que identificaram algo semelhante: cada pessoa teria uma espécie de vocação para se relacionar de uma forma exclusiva, monogâmica, ou não exclusiva em algum nível”, afirma.
Assim, Marina ajuda cada casal a identificar a própria orientação relacional e, a partir disso, criarem juntos o próprio formato de relacionamento. Mesmo que cada parceria seja única, Marina indica algumas passos antes de entrar em um relacionamento fora do convencional:
- Conhecer o que já existe sobre relações fora do padrão.
- Conhecer a si mesmo: o autoconhecimento é essencial para estabelecer relações não convencionais
- Deixar-se conhecer: é importante jogar aberto para que essas relações, de fato, funcionem.
Matéria publicada em 09/06/2024
Por Eduardo Fernandes
Por Iandara Pimentel Santana
*Estagiária sob a supervisão de Sibele Negromonte

Causas de Sofrimento da População NMC
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