Marinna Roty no Congresso Brasileiro de Sexualidade Humana 2024
Sexualidade

Mitos Sexuais de Swingers e PBs

Você sabe quais são os mitos sexuais dos swingers e PBs? No começo do mês participei do Congresso Brasileiro de Sexualidade Humana. Fiz uma apresentação musical e tive a oportunidade de ouvir diversas apresentações científicas – e um dos temas que mais me chamou a atenção foi Mitos Sexuais dos Swingers e PBs (óbvio! kkkk).

Não só a minha atenção, mas a de muita gente, tanto que a sala ficou abarrotada de profissionais da saúde para ver swingers x PBs. E eu trago no post de hoje uma parte do resultado desse estudo.

A dúvida levantada pelo casal de pesquisadores foi “swingers tem menos mitos sexuais do que PBs?

PARÊNTESES: lembrando que PB é o termo que se usa no swing e meio liberal para se referir ao que não é swing nem liberal.

Como foi feita a pesquisa

Casais Participantes no TotalSwingersPBs
201010

Foram usados dois questionários:

1) o questionário individual – 50 questões para marcar sim, não ou mais ou menos, 12 questões objetivas e 22 perguntas abertas; (adaptado do questionário “Os Significados da Vida em Comum”, baixado no site TCC para todos)

2) o questionário de mitos e crenças – 75 frases para marcar verdadeiro ou falso (parcialmente adaptado do baralho da sexualidade da Aline Sardinha).

Entrevista semiestruturada

40 voluntários entre 22 e 54

PBs casados em média há 7 anos, swingers há 12 – adeptos do swing há 8 anos em média.

Mitos mais marcados como verdades

Dois mitos empataram como os mais marcados por swingers e PBs:

Mito: O líquido seminal é rico em proteínas, extremamente estéril e não causará mal se engolido.

SwingersPBs
65%85%

Mito: Existem dois tipos de orgasmo feminino: o vaginal e o clitoriano.

SwingersPBs
70%80%

Mitos que só PBs marcaram:

  • o ménage à trois e o swing acabam com o relacionamento
  • casais que praticam swing não se amam de verdade
  • o casal que faz swing e ménage à trois não tem mais prazer numa transa a dois.

Total de mitos marcados como verdades:

SwingersPBs
375367

Os pesquisadores concluíram com os resultados que “a falta de informação, a desinformação e a ausência de uma educação sexual são responsáveis pela manutenção dos mitos e crenças e tabus que levam a pensamentos e crenças disfuncionais e, por conseguinte, às disfunções sexuais.”

Visão da Marinna Roty

Ouvi a apresentação da pesquisa e trago alguns pontos pra gente pensar, a maioria deles envolvendo os questionários, por exemplo: algumas perguntas precisam de melhores formulações.

Achei muito bom os swingers terem marcados mais pontos no total – e que esses mitos não tenham a ver com o meio liberal mas com a sexualidade em geral – porque mostra que nós somos pessoas. Não temos menos tabus que os outros só porque somos swingers nem somos os experts do sexo só porque somos swingers. ISSO É MITO!

Porém, quando acabou a apresentação e começaram as perguntas do público, é que a coisa pegou. A primeira pergunta foi de uma professora do casal que fez a pesquisa. Ela queria saber como a família e os amigos deles enxergaram o casal por causa dessa pesquisa (em outras palavras, como eles enfrentaram o preconceito que envolve o swing).

E a resposta foi a padrão: havia curiosidade, principalmente se o casal (os pesquisadores) tinham feito swing ou eram adeptos também. E eles diziam a quem perguntava que não era preciso ser swinger para pesquisar e falar com propriedade sobre o tema.

Não Precisa, Mas…

Pois é… na hora eu lembrei do filme Mudança de Hábito 2, quando uma freira vai dar aula de sexualidade, os alunos fazem a mesma pergunta e ela responde: não preciso comer o bolo pra saber que é doce.

De fato, ninguém precisa fazer swing para pesquisar sobre, mas não seria muito mais convincente? Quem sabe, se os pesquisadores fossem swingers, não teriam elaborado questionários mais adequados a quem pratica swing? E os resultados da pesquisa não teriam sido mais ricos em dados, ajudando a diminuir mitos? No fim, de verdade, o que impede um swinger de realizar e ter espaço e visibilidade para apresentar uma pesquisa sobre a própria prática?

Porém, o que mais me incomodou foi a expressão, risadinha e o tom de voz que acompanhou a resposta. Gente, vamos lá: há quantos anos eu falo sobre swing? Há quanto tempo eu escuto essa mesma frase pronta (não preciso fazer pra saber do que se trata), além de risadinhas, lições de moral e tantas outras expressões que claramente menospreza quem faz swing?

Eu e o Marcio – assim como diversos swingers – estamos cansados de ouvir que não podemos ser mais do que “objetos de estudos”. É como se quem faz swing não fosse capaz de ser cientista, pesquisador, psicólogo, médico, advogado só porque faz swing! Toda a vida, os anos de estudo, os esforços no trabalho, tudo é invalidado quando a pessoa assume ser swinger. A ponto de ter que vir outra pessoa – que não faz swing – para dizer o que a gente é, onde a gente vive, como nos alimentamos…

Tipo: eu não faço swing, então eu tenho a moral intacta para que as pessoas me ouçam. Um swinger assumido não tem isso…

O Maior Mito

O que eu gostaria de ter ouvido como resposta é algo nesse sentido: não somos swingers, mas e se fôssemos? Mudaria a sua visão sobre a nossa pesquisa ou sobre nós? O fato de sermos swingers invalida a nossa pesquisa?

“Há crenças, mitos e, portanto, preconceitos arraigados no âmago da sociedade, o que gera resistência às suas variadas formas de expressão, mesmo ainda nos meios acadêmico e científico. É necessário compreender melhor as manifestações da sexualidade e de suas práticas, mais especificamente no que se refere aos casais, buscando acolhê-las em sua enorme diversidade de maneira mais adequada e menos preconceituosa.”

Madalena Smarzaro, Fabrício Mohaupt

Um psicólogo que faz swing é invalidado sim. Um advogado que faz swing é invalidado sim. “Não preciso ser swinger para falar com propriedade” é uma fala preconceituosa, pois invalida todos os outros profissionais que fazem swing e não tem a mesma visibilidade unicamente por causa da “moral e dos bons costumes” enraizado na maioria dos círculos sociais, inclusive o acadêmico.

Querem saber qual o maior mito sexual dos swingers e PBs? “Sou swinger e isso anula todo o resto da minha vida”.

Marinna Roty