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	<title>Marina Rotty</title>
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	<description>especialista em liberdade afetiva</description>
	<lastBuildDate>Wed, 18 Mar 2026 19:11:25 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Marina Rotty</title>
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		<title>Pesquisa sobre Comportamento Swinger na Íntimi Expo 2026</title>
		<link>https://marinarotty.com/pesquisa-sobre-comportamento-swinger-na-intimi-expo-2026/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Rotty]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Mar 2026 19:11:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
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					<description><![CDATA[A compreensão das dinâmicas relacionais contemporâneas exige um olhar que ultrapasse o senso comum e se debruce sobre dados concretos. É com esse compromisso que participo da 12ª edição da Íntimi Expo, no Distrito Anhembi, levando os resultados da minha mais recente investigação independente sobre o universo swinger. Desconstruindo Estereótipos: A Pesquisa em Foco No [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p data-block-type="core">A compreensão das dinâmicas relacionais contemporâneas exige um olhar que ultrapasse o senso comum e se debruce sobre dados concretos. É com esse compromisso que participo da 12ª edição da <strong>Íntimi Expo</strong>, no Distrito Anhembi, levando os resultados da minha mais recente investigação independente sobre o universo swinger.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core"><strong>Desconstruindo Estereótipos: A Pesquisa em Foco</strong></h3>



<p data-block-type="core">No sábado, às 17h, ocupo a <strong>Área do Conhecimento</strong> — a convite de Thais Plaza — para apresentar a palestra <strong>&#8220;Jornada do Desejo: Além dos Mitos do Universo Swinger&#8221;</strong>.</p>



<p data-block-type="core">Neste espaço, o foco não está na prática em si, mas na análise estruturada do comportamento. Minha pesquisa busca mapear como o desejo se manifesta e como os acordos são estabelecidos dentro dessa modalidade de <strong>NMC (Não Monogamia Consensual)</strong>. Discutiremos o que os dados revelam sobre motivação, segurança emocional e a quebra de paradigmas que ainda cercam essa dinâmica no imaginário social.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core"><strong>O Debate sobre Monogamia e Não Monogamia na Atualidade</strong></h3>



<p data-block-type="core">A programação se estende para uma análise mais ampla das estruturas relacionais. Logo após a palestra, participo de uma roda de conversa fundamental ao lado de <strong>Thais Plaza</strong> e <strong>Lu Cabral</strong>, com o apoio do <strong>Gleeden</strong>.</p>



<p data-block-type="core">O objetivo é debater as fronteiras, os tensionamentos e as convergências entre a <strong>monogamia e a não monogamia</strong> no cenário atual. Como pesquisadora e psicóloga, vejo esses espaços como essenciais para pautar o mercado e a sociedade sobre a pluralidade das orientações relacionais, fundamentando o debate em evidências e na ética do cuidado.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core"><strong>Participação e Conhecimento</strong></h3>



<p data-block-type="core">A <strong><a href="https://intimiexpo.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Íntimi Expo</a></strong> se consolidou como o principal ponto de encontro para profissionais que atuam na intersecção entre bem-estar, saúde e comportamento. Estar presente na Área do Conhecimento reforça a importância de tratarmos a sexualidade e os modelos relacionais com o rigor que a psicologia e a pesquisa científica exigem.</p>



<p class="has-heading-color has-primary-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-a5f02d63fbefd7cf36915b8a7c192ca4" data-block-type="core">As palestras na <strong>Área do Conhecimento</strong> são gratuitas para os visitantes da feira, promovendo o acesso democrático ao saber técnico.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-wide"/ data-block-type="core">



<p data-block-type="core"><strong>Local:</strong> Distrito Anhembi, São Paulo.</p>



<p data-block-type="core"><strong>Data:</strong> Sábado, 21 de março.</p>



<p data-block-type="core"><strong>Horário:</strong> Palestra às 17h, seguida da Roda de Conversa.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Autonomia Para Sobreviver</title>
		<link>https://marinarotty.com/autonomia-dia-da-mulher/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Rotty]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Mar 2026 13:20:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoestima]]></category>
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					<description><![CDATA[A autonomia afetiva pode ser uma estratégia de sobrevivência e liberdade feminina No Brasil de 2026, onde os índices de violência contra a mulher seguem em patamares alarmantes, falar sobre o Dia da Mulher exige sobriedade. A autonomia feminina não é apenas um conceito abstrato de liberdade; é uma barreira de proteção. Quando uma mulher [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p data-block-type="core">A a<em>utonomia afetiva pode ser uma estratégia de sobrevivência e liberdade feminina</em></p>



<p data-block-type="core">No Brasil de 2026, onde os índices de violência contra a mulher seguem em patamares alarmantes, falar sobre o Dia da Mulher exige sobriedade. A autonomia feminina não é apenas um conceito abstrato de liberdade; é uma barreira de proteção. Quando uma mulher retoma para si a autoridade sobre seus afetos, ela quebra o ciclo de dependência que, muitas vezes, serve de solo para a violência doméstica e patrimonial.</p>



<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core">A Não Monogamia como Ferramenta de Emancipação</h3>



<p data-block-type="core">A estrutura das não monogamias oferece uma base sólida para o desenvolvimento desse pensamento autônomo. Ao questionarmos a posse e a exclusividade compulsória — pilares do patriarcado —, abrimos espaço para uma subjetividade feminina que não gira em torno de um único centro de validação masculina.</p>



<p data-block-type="core"><strong>Reflexão Clínica e Social:</strong></p>



<ul class="wp-block-list" data-block-type="core">
<li data-block-type="core"><strong>A Desconstrução da Posse:</strong> A violência de gênero está intrinsecamente ligada à ideia do &#8220;corpo da mulher como propriedade&#8221;. As não monogamias propõem uma ética de liberdade que combate diretamente essa raiz cultural.</li>



<li data-block-type="core"><strong>Redes de Apoio vs. Isolamento:</strong> O agressor costuma isolar a mulher de seu círculo social. Em contrapartida, as vivências não monogâmicas incentivam a construção de redes de afeto plurais, garantindo que a mulher tenha onde se apoiar emocional e fisicamente.</li>



<li data-block-type="core"><strong>Agência e Autoestima:</strong> Desenvolver a autonomia para desejar e ser desejada fora de um contrato rígido de &#8220;zelo&#8221; masculino fortalece a autoestima, tornando a mulher mais resiliente contra abusos psicológicos e manipulações.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core">O Direito à Arquitetura do Próprio Destino</h3>



<p data-block-type="core">Incentivar a autonomia afetiva é um ato de saúde pública. Ser a arquiteta da própria vida relacional — seja escolhendo a monogamia consciente ou as diversas formas de não monogamia — é o caminho para que a mulher deixe de ser coadjuvante na história do outro e passe a ser a protagonista da sua integridade física e mental.</p>



<p data-block-type="core">Que este dia seja um lembrete de que a <strong>nossa maior segurança reside na nossa capacidade de sermos livres.</strong></p>



<p data-block-type="core"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Por Que Transar com Desconhecidos é Tão Fascinante Para Muitas Mulheres</title>
		<link>https://marinarotty.com/por-que-transar-com-desconhecidos-e-tao-fascinante-para-muitas-mulheres/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Rotty]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Feb 2026 13:23:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoestima]]></category>
		<category><![CDATA[autonomia feminina]]></category>
		<category><![CDATA[identidade]]></category>
		<category><![CDATA[sexo com desconhecidos]]></category>
		<category><![CDATA[sexo com estranhos]]></category>
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					<description><![CDATA[Além do Tabu: Por que o Desconhecido Fascina? Uma Análise entre a Psicanálise e a Genética No universo da sexologia, poucas fantasias são tão recorrentes — e ainda tão cercadas de estigma — quanto o tesão pelo encontro com desconhecidos. Para muitas mulheres, a excitação não reside na construção de uma história, mas justamente na [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p data-block-type="core"><strong>Além do Tabu: Por que o Desconhecido Fascina? Uma Análise entre a Psicanálise e a Genética</strong></p>



<p data-block-type="core">No universo da sexologia, poucas fantasias são tão recorrentes — e ainda tão cercadas de estigma — quanto o tesão pelo encontro com desconhecidos. Para muitas mulheres, a excitação não reside na construção de uma história, mas justamente na ausência dela. Por que o anonimato é, para tantas, um potente afrodisíaco?</p>



<p data-block-type="core">Para muitas, esse desejo não vem desacompanhado: ele costuma carregar o peso de uma culpa silenciosa. Existe uma pressão social invisível que dita que o erotismo feminino deve estar obrigatoriamente ancorado no afeto, na segurança e na admiração por quem já se conhece. </p>



<p data-block-type="core">Quando uma mulher percebe que seu corpo vibra justamente na contramão dessa regra — sentindo-se atraída pelo anonimato e pela ausência de laços —, ela frequentemente questiona sua própria &#8216;normalidade&#8217;. É como se houvesse um defeito em não desejar apenas o familiar, como se a busca pelo desconhecido fosse uma falha moral, e não uma manifestação autêntica de sua neurobiologia e de sua psiquê.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core">O Alívio da Identidade: O Prazer de ser &#8220;Ninguém&#8221;</h2>



<p data-block-type="core">Sob a ótica da psicanálise, todos nós carregamos o peso de quem somos. Somos filhas, profissionais, mães ou parceiras dedicadas. Esse &#8220;Eu&#8221; social é cheio de expectativas e regras.</p>



<p data-block-type="core">O encontro com um desconhecido oferece o que chamamos de <strong>despersonalização momentânea</strong>. Diante de alguém que não sabe seu nome ou seu passado, você não precisa ser &#8220;coerente&#8221;. Esse vácuo de informação permite que a mulher explore facetas de sua sexualidade que poderiam ser inibidas em um relacionamento de longo prazo. É o prazer de ser uma página em branco, onde o único compromisso é com a pulsão do momento.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core">A &#8220;Fome&#8221; de Dopamina: O Gene DRD4-7R</h2>



<p data-block-type="core">Nem tudo é simbólico; parte do desejo pode ser puramente biológico. <a href="https://marinarotty.com/nao-monogamia-no-dna/" data-type="post" data-id="785">Pesquisas em neurogenética</a> apontam para a existência da variante <strong>7R</strong> do gene <strong>DRD4</strong>, frequentemente associada à busca por novidade e ao comportamento de risco.</p>



<p data-block-type="core">Indivíduos com essa variante possuem mais receptores de dopamina. Na prática, isso significa que o &#8220;sistema de recompensa&#8221; do cérebro dessas pessoas opera em uma voltagem mais baixa. Para sentirem o mesmo nível de satisfação que uma pessoa comum, elas precisam de estímulos mais intensos.</p>



<ul class="wp-block-list" data-block-type="core">
<li data-block-type="core">O sexo com um desconhecido fornece o &#8220;combo&#8221; neuroquímico perfeito: a <strong>novidade</strong> (estímulo visual e tátil inédito) somada ao <strong>risco</strong> (o frio na barriga do inesperado).</li>



<li data-block-type="core">Aqui, o comportamento não é uma falha de caráter, mas uma forma de <strong>autorregulação neuroquímica</strong>. O corpo está, literalmente, buscando &#8220;acender&#8221; seus centros de prazer.</li>
</ul>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core">Identidade de Vínculo</h2>



<p data-block-type="core">A ciência e a sexologia contemporânea começam a propor um conceito revolucionário: a existência de uma <strong>Orientação Relacional</strong>.</p>



<p data-block-type="core">Assim como compreendemos a orientação sexual (por quem nos atraímos), a identidade de vínculo descreve <em>como</em> nos vinculamos. Para algumas pessoas, o modelo de exclusividade e intimidade profunda é o que traz segurança e excitação (monocronia). Para outras, a <strong>variedade e o desapego</strong> não são fases, mas uma característica intrínseca de sua identidade erótica.</p>



<p data-block-type="core">Mulheres que sentem esse desejo recorrente podem possuir uma <a href="https://marinarotty.com/orientacao-relacional-por-que-amar-nao-deveria-doer/" data-type="post" data-id="1711">orientação relacional </a>voltada para a <strong>exploração</strong>. Nesse cenário, o &#8220;desconhecido&#8221; não é um substituto para um parceiro fixo, mas uma necessidade de expansão do Self que a monogamia tradicional, por definição, limita.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core">O Desconhecido como &#8220;Objeto de Projeção&#8221;</h2>



<p data-block-type="core">Lacan nos ensinou que o desejo é movido pela &#8220;falta&#8221;. No relacionamento estável, a intimidade preenche os espaços; conhecemos os defeitos, as rotinas e as fragilidades do outro. O mistério acaba.</p>



<p data-block-type="core">Já o desconhecido funciona como uma tela vazia. Como não sabemos quem ele é, projetamos nele o nosso &#8220;amante ideal&#8221;. O desejo, então, não é pelo homem real à nossa frente, mas pela <strong>fantasia absoluta</strong> que ele nos permite sustentar. O anonimato protege a fantasia da invasão da realidade.</p>



<figure class="wp-block-pullquote" data-block-type="core"><blockquote><p>&#8220;O desejo não é um tribunal. Você não precisa de uma justificativa moral para o que o seu corpo sente, mas precisa de autoconhecimento para entender como ele funciona.&#8221;</p><cite>Marina Rotty</cite></blockquote></figure>



<p data-block-type="core">Entender o desejo por desconhecidos como uma mistura de alívio psíquico, necessidade neuroquímica e identidade de vínculo retira o peso da culpa e abre espaço para uma sexualidade mais ética e consciente. Seja por uma predisposição genética ao alelo 7R ou pela busca psíquica de liberdade, o encontro com o Outro radical permanece como uma das fronteiras mais fascinantes da experiência humana.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Orientação Relacional &#8211; Por Que Amar Não Deveria Doer</title>
		<link>https://marinarotty.com/orientacao-relacional-por-que-amar-nao-deveria-doer/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Rotty]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Jan 2026 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Relacionamento]]></category>
		<category><![CDATA[desejo]]></category>
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					<description><![CDATA[Grande parte do sofrimento amoroso contemporâneo não nasce da falta de amor, de maturidade emocional ou de empenho. Ele surge, muitas vezes, do choque entre como a pessoa ama e o modelo de relação que ela tenta sustentar. Entender essa diferença é o ponto de partida da Abordagem de Orientação Relacional. “Por que amar parece [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p data-block-type="core">Grande parte do sofrimento amoroso contemporâneo não nasce da falta de amor, de maturidade emocional ou de empenho. Ele surge, muitas vezes, do choque entre <em>como a pessoa ama</em> e <em>o modelo de relação que ela tenta sustentar</em>. Entender essa diferença é o ponto de partida da Abordagem de Orientação Relacional.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core">“Por que amar parece tão difícil para algumas pessoas?”</h2>



<p data-block-type="core">Cheguei nessa frase depois de muitos anos escutando histórias de sofrimento amoroso. Histórias diferentes. Pessoas diferentes.<br>Mas um desconforto que se repetia. Gente tentando se adaptar a relações que exigiam posturas diferentes do que podiam oferecer. Tentando sentir de um jeito que achavam certo sentir e desejar como achavam que deveriam desejar. </p>



<p data-block-type="core">Algumas estavam em relações monogâmicas e se sentiam pequenas demais. Outras, em relações abertas, se sentiam expostas demais. E quase todas carregavam a mesma sensação silenciosa: <strong>“o problema sou eu.”</strong></p>



<p data-block-type="core">Mas quando a pergunta muda, o caminho também muda. Em algum momento, a pergunta deixou de ser: <strong>“Por que essa pessoa sofre tanto para amar?”</strong></p>



<p data-block-type="core">E passou a ser outra, muito mais honesta e potente: <strong>Como é o jeito de amar dessa pessoa?</strong></p>



<p data-block-type="core">Essa virada muda tudo porque ela desloca o foco da culpa para a coerência. <strong>E se não for um &#8220;erro&#8221; pessoal mas um &#8220;erro&#8221; de estrutura relacional?</strong> </p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core">O que é orientação relacional?</h2>



<p data-block-type="core">Toda pessoa possui uma <strong>orientação relacional</strong>:<br>um modo predominante de organizar amor, vínculo, desejo, exclusividade e segurança emocional.</p>



<p data-block-type="core">Ela não é um rótulo fixo, nem uma prisão.<br>Mas é uma tendência profunda — emocional, simbólica e relacional — que influencia:</p>



<ul class="wp-block-list" data-block-type="core">
<li data-block-type="core">como você se vincula</li>



<li data-block-type="core">como lida com exclusividade ou abertura</li>



<li data-block-type="core">como sente segurança</li>



<li data-block-type="core">como ama, deseja e se compromete</li>
</ul>



<p data-block-type="core">O sofrimento aparece quando esse modo entra em conflito com os pactos, acordos e modelos que a pessoa tenta sustentar — para se sentir aceita, validada ou “normal”.</p>



<p data-block-type="core">O foco do problema não é a relação, mas a incompatibilidade na identidade relacional que permanece (ainda) invisível.</p>



<p data-block-type="core">Não é sobre o modelo tradicional parecer aprisionador ou os não exclusivos parecerem muito intensos. O problema surge quando alguém tenta viver <strong>um modelo que não conversa com sua orientação interna</strong>.</p>



<p data-block-type="core">É aí que amar vira esforço.<br>É aí que o vínculo vira tensão.<br>É aí que o desejo vira culpa.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core">A Abordagem de Orientação Relacional</h2>



<p data-block-type="core">A teoria, a linguagem e o nome vieram depois da escuta.</p>



<p data-block-type="core">Hoje, chamo esse trabalho de <strong>Abordagem de Orientação Relacional</strong>.</p>



<p data-block-type="core">Ela não ensina ninguém a amar diferente.<br>Ela não empurra ninguém para modelos específicos.<br>Ela não romantiza sofrimento em nome de liberdade nem de estabilidade.</p>



<p data-block-type="core">Ela ajuda a pessoa a entender <strong>como ama</strong> —<br>e, a partir disso, fazer escolhas mais coerentes, éticas e sustentáveis.</p>



<p data-block-type="core">Sem se violentar para caber.<br>Sem se moldar para não perder.<br>Sem se trair para ser amada.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core">Amar não deveria ser um teste de resistência</h2>



<p data-block-type="core">Se você sente que amar tem sido mais esforço do que encontro, mais adaptação do que verdade, mais culpa do que expansão…</p>



<p data-block-type="core">É provável que não seja falta de maturidade emocional ou compromisso; nem mesmo &#8220;dificuldade de amar&#8221;. </p>



<p data-block-type="core">O mais provável, segundo a abordagem de orientação relacional, é que você esteja tentando amar de um jeito que não é o seu.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core">Mini-FAQ (SEO)</h3>



<p data-block-type="core"><strong>Orientação relacional é a mesma coisa que estilo de apego?</strong><br>Não. Embora possam dialogar, orientação relacional envolve não apenas vínculo, mas também desejo, exclusividade, segurança emocional e organização simbólica da relação.</p>



<p data-block-type="core"><strong>É possível mudar a orientação relacional?</strong><br>Mais do que mudar, o processo envolve compreender, integrar e fazer escolhas coerentes. Forçar mudanças costuma gerar sofrimento.</p>



<p data-block-type="core"><strong>Essa abordagem indica monogamia ou não-monogamia?</strong><br>Nenhuma. Ela parte da estrutura da pessoa — não do modelo de relacionamento.</p>



<p data-block-type="core"><strong>Para quem este trabalho é indicado</strong></p>



<ul class="wp-block-list" data-block-type="core">
<li data-block-type="core">pessoas que sofrem repetidamente em relações amorosas;</li>



<li data-block-type="core">casais em conflito estrutural, mesmo com diálogo e afeto;</li>



<li data-block-type="core">pessoas que se sentem inadequadas em modelos tradicionais;</li>



<li data-block-type="core">quem deseja clareza antes de escolher ou renegociar um tipo de relação.</li>
</ul>



<p data-block-type="core"></p>



<p data-block-type="core"></p>



<p data-block-type="core"><strong>Marina Rotty</strong><br><em>Abordagem de Orientação Relacional</em></p>



<p data-block-type="core"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Quando a Igreja precisa se pronunciar: o que o novo decreto do Vaticano revela sobre a ascensão da Não Monogamia Consensual</title>
		<link>https://marinarotty.com/papa-confirma-ascensao-da-nao-monogamia-consensual/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Rotty]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Nov 2025 20:49:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Relacionamento]]></category>
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					<description><![CDATA[Em novembro de 2025, o Vaticano publicou um decreto doutrinário intitulado Una caro – In Praise of Monogamy (“Uma só carne — Elogio à Monogamia”). Assinado e aprovado por Papa Leão XIV, o documento reafirma oficialmente que, para a Igreja Católica, o casamento “verdadeiro” é necessariamente monogâmico, exclusivo e indissolúvel. Mais do que reafirmar uma [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p data-block-type="core">Em novembro de 2025, o Vaticano publicou um decreto doutrinário intitulado <strong><em>Una caro – In Praise of Monogamy</em></strong> (“Uma só carne — Elogio à Monogamia”). Assinado e aprovado por Papa Leão XIV, o documento reafirma oficialmente que, para a Igreja Católica, o casamento “verdadeiro” é necessariamente monogâmico, exclusivo e indissolúvel.</p>



<p data-block-type="core">Mais do que reafirmar uma tradição histórica, o decreto chamou atenção por outro motivo:<br><strong>É a primeira vez na história que um Papa precisa se pronunciar explicitamente sobre poliamor e relações não monogâmicas modernas.</strong></p>



<p data-block-type="core">E esse movimento diz muito sobre o mundo em que vivemos.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core"><strong>O que o decreto afirma</strong></h2>



<p data-block-type="core">O documento condena a poligamia tradicional e também as práticas contemporâneas de poliamor e relações múltiplas consensuais. Entre os trechos principais divulgados pela imprensa internacional:</p>



<ul class="wp-block-list" data-block-type="core">
<li data-block-type="core">“Só duas pessoas podem se entregar plena e completamente uma à outra.”</li>



<li data-block-type="core">“Quando a exclusividade é rompida, a doação torna-se parcial, e não respeita a dignidade do outro.”</li>



<li data-block-type="core">“O matrimônio exige um pertencimento mútuo que não pode ser estendido a múltiplos parceiros.”</li>
</ul>



<p data-block-type="core">Além disso, o texto apresenta a monogamia como ideal espiritual, moral e humano — descrevendo-a como caminho para um amor que “se abre ao eterno”.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core"><strong>Por que isso está acontecendo agora?</strong></h2>



<p data-block-type="core">A pergunta mais interessante não é <em>o que</em> o Papa disse, mas <strong>por que</strong> a Igreja decidiu falar sobre isso em 2025. E a resposta é direta:</p>



<p data-block-type="core">→ <strong>Porque a Não Monogamia Consensual deixou de ser um tema “de nicho”.</strong></p>



<p data-block-type="core">→ <strong>Porque já existe visibilidade suficiente para gerar debates públicos, jurídicos, acadêmicos e pastorais.</strong></p>



<p data-block-type="core">→ <strong>Porque práticas relacionais não monogâmicas já atravessam fiéis, casais, famílias e comunidades religiosas.</strong></p>



<p data-block-type="core">A Igreja só se pronuncia oficialmente sobre algo quando esse algo se torna <strong>uma realidade social incontornável</strong>. Historicamente, o Vaticano não cria doutrinas preventivas. Ele reage a transformações sociais que já estão instaladas — mesmo quando discorda delas. E esse decreto é exatamente isso: uma reação institucional a uma mudança cultural que já aconteceu.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core"><strong>O que isso revela sobre a realidade atual dos relacionamentos</strong></h2>



<p data-block-type="core">Nos últimos anos, pesquisas acadêmicas, mídias internacionais, serviços terapêuticos e até políticas públicas começaram a reconhecer o crescimento da NMC. Não estamos falando apenas de poligamia tradicional — mas de:</p>



<ul class="wp-block-list" data-block-type="core">
<li data-block-type="core">poliamor,</li>



<li data-block-type="core">relacionamentos abertos,</li>



<li data-block-type="core">solo-poly,</li>



<li data-block-type="core">anarquia relacional,</li>



<li data-block-type="core">casais flexíveis,</li>



<li data-block-type="core">vínculos múltiplos consensuais.</li>
</ul>



<p data-block-type="core">O número de pessoas vivendo ou explorando arranjos fora da monogamia tradicional aumentou o suficiente para alcançar:</p>



<ul class="wp-block-list" data-block-type="core">
<li data-block-type="core">o debate jurídico em alguns países,</li>



<li data-block-type="core">a saúde mental e profissionalização do atendimento,</li>



<li data-block-type="core">a pauta política,</li>



<li data-block-type="core">e agora… <strong>a doutrina do Vaticano</strong>.</li>
</ul>



<p data-block-type="core">Quando um Papa precisa escrever um decreto sobre um tema, é porque aquele tema já se tornou <strong>socialmente relevante e impossível de ignorar</strong>.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core"><strong>O paradoxo: ao tentar reafirmar a monogamia, o decreto confirma a presença da NMC</strong></h2>



<p data-block-type="core">O documento tenta se posicionar como defesa da monogamia, mas ao fazer isso, ele produz um efeito colateral muito claro:</p>



<p data-block-type="core"><strong>Reconhece que a Não Monogamia Consensual já está presente dentro e fora da Igreja.</strong></p>



<p data-block-type="core">E mais:</p>



<ul class="wp-block-list" data-block-type="core">
<li data-block-type="core">reconhece que casais católicos já vivem, exploram ou questionam a monogamia;</li>



<li data-block-type="core">reconhece que o poliamor e demais formas de NMC não são mais invisíveis nem marginais;</li>



<li data-block-type="core">reconhece que existe debate suficiente para gerar “confusão pastoral”;</li>



<li data-block-type="core">reconhece que a diversidade relacional faz parte do mundo contemporâneo.</li>
</ul>



<p data-block-type="core">É justamente por haver fiéis vivendo essas experiências que a Igreja precisou dizer algo. Se fosse algo irrelevante, silencioso ou restrito a grupos isolados, não haveria decreto.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core"><strong>O que profissionais da saúde mental precisam notar</strong></h2>



<p data-block-type="core">Para nós — profissionais que trabalham diretamente com relacionamentos, sexualidade e diversidade relacional — esse momento é histórico por três motivos:</p>



<p data-block-type="core">1) <strong>A NMC ganhou reconhecimento social</strong>, mesmo via crítica. O que antes era visto como exceção, hoje é uma categoria que demanda posicionamento institucional.</p>



<p data-block-type="core">2) <strong>O estigma permanece, mas agora é nomeado.</strong> E quando um fenômeno é nomeado, ele também se torna discutível, pesquisável e compreensível.</p>



<p data-block-type="core">3) <strong>A necessidade de acolhimento psicológico cresce.</strong> Com mais visibilidade, mais pessoas buscam entender suas escolhas, seus vínculos e suas possibilidades relacionais — sem culpa, sem medo e sem patologização.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core"><strong>O decreto não encerra o debate — ele comprova sua existência</strong></h2>



<p data-block-type="core">Ao reafirmar a monogamia como ideal religioso, o Papa não encerra a discussão sobre poliamor. Na verdade, ele <strong>confirma que estamos vivendo uma transformação global</strong> na forma como as pessoas constroem relacionamentos.</p>



<p data-block-type="core">O decreto é a prova de que a diversidade relacional deixou de ser um movimento silencioso e tornou-se parte do diálogo público — inclusive dentro da maior instituição religiosa do planeta.</p>



<p data-block-type="core">E isso, por si só, já diz muito sobre o mundo que estamos construindo.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<p data-block-type="core">Marina Rotty</p>



<p data-block-type="core"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Como Conversar Com o Parceiro Sobre Swing Sem Gerar Conflito</title>
		<link>https://marinarotty.com/como-conversar-com-o-parceiro-sobre-swing-sem-gerar-conflito/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Rotty]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Oct 2025 05:05:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Relacionamento]]></category>
		<category><![CDATA[conversar sobre swing]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamento aberto]]></category>
		<category><![CDATA[swing sem conflito]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marinarotty.com/?p=1400</guid>

					<description><![CDATA[Se você pensa em conversar com o parceiro sobre swing mas não quer começar uma guerra em casa, você está no lugar certo! Falar sobre swing ainda é tabu para muita gente, mesmo para quem já vive relações abertas e conscientes. O medo da reação do outro, da rejeição ou do julgamento é o que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p data-block-type="core"></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow" data-block-type="core">
<p data-block-type="core">Se você pensa em conversar com o parceiro sobre swing mas não quer começar uma guerra em casa, você está no lugar certo! Falar sobre swing ainda é tabu para muita gente, mesmo para quem já vive relações abertas e conscientes. O medo da reação do outro, da rejeição ou do julgamento é o que mais bloqueia a comunicação entre casais que desejam explorar novas formas de viver o desejo. Mas como você já sabe, o diálogo é o primeiro passo para chegar lá.</p>



<p data-block-type="core">Outro dia alguém me perguntou &#8220;como eu falo para o meu parceiro que quero abrir a relação?&#8221; E eu respondi &#8220;com a boca&#8221;. O tom era de brincadeira mas é a mais pura verdade. Você pode enviar mensagem de texto, áudio pelo whatsapp, compartilhar artigos, podcasts, memes&#8230; mas enquanto você não estiver disposto a dialogar frente a frente com seu amado, você não está pronto para nenhuma forma de <a href="https://marinarotty.com/nao-monogamia-consensual/" target="_blank" data-type="post" data-id="763" rel="noreferrer noopener">não monogamia consensual</a>.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core">O poder do diálogo no relacionamento</h2>



<p data-block-type="core">Por que conversar é mais importante do que você imagina</p>



<p data-block-type="core">Quando um relacionamento começa a esfriar, a primeira reação de muitos casais é procurar soluções externas — viagens, presentes, novas experiências. Mas, na maioria das vezes, o que realmente falta é algo simples e essencial: <strong>diálogo</strong>.</p>



<p data-block-type="core">A comunicação é o alicerce de qualquer relação saudável. É por meio dela que expressamos necessidades, compartilhamos vulnerabilidades e construímos confiança. No entanto, com o passar do tempo, o diálogo entre casais tende a se tornar superficial — limitado a tarefas, filhos ou trabalho. É aí que começam os ruídos, os mal-entendidos e, em silêncio, a desconexão emocional.</p>



<p data-block-type="core">Mas o diálogo é o primeiro passo para reconstruir a conexão. E existem formas práticas de resgatar essa troca genuína no dia a dia.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core">Passos para iniciar um diálogo responsável</h2>



<p data-block-type="core"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f449.png" alt="👉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> <strong>Comece com curiosidade, não com cobrança.</strong><br>Em vez de “quero tentar swing”, experimente: “<strong>tenho curiosidade sobre esse tema, o que você sente quando ouve essa palavra?”.</strong></p>



<p data-block-type="core">Ouvir não é o mesmo que ficar em silêncio enquanto o outro fala. A escuta ativa é uma habilidade que precisa ser praticada. Significa ouvir com empatia, sem preparar uma resposta enquanto o outro ainda fala.</p>



<p data-block-type="core">Quando escutamos de verdade, validamos a experiência do outro. Em vez de “você está exagerando”, podemos dizer <strong>“eu entendo que isso te deixou frustrado”.</strong> Essa simples mudança de postura transforma o ambiente emocional da conversa.</p>



<p data-block-type="core">Na terapia de casal, esse é um dos primeiros exercícios: aprender a ouvir sem se defender. O foco não é ter razão, mas compreender o que o outro sente. É impressionante como um simples “eu te entendo” pode dissolver dias de tensão.</p>



<p data-block-type="core">Se você quer melhorar o diálogo no relacionamento, comece praticando a escuta ativa. Faça perguntas, demonstre interesse, evite interromper. Isso cria espaço para o outro se abrir e, aos poucos, a confiança retorna.</p>



<p data-block-type="core"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f449.png" alt="👉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> <strong>Evite usar o passado como comparação.</strong><br>O que você deseja hoje não invalida o que já viveram — é apenas um novo capítulo.</p>



<p data-block-type="core">A maior armadilha das conversas de casal é transformar uma tentativa de aproximação em uma troca de acusações. Frases como “você nunca me ouve” ou “você não liga pra mim” geram resistência e defensividade.</p>



<p data-block-type="core">Em vez disso, troque o “você” pelo “eu”. Diga: “<strong>eu me sinto sozinha quando você não me pergunta como foi meu dia</strong>” ou “<strong>eu fico inseguro quando você se fecha</strong>”. Essa mudança sutil é poderosa, porque o foco sai da culpa e vai para a vulnerabilidade.</p>



<p data-block-type="core">Quando falamos de sentimentos, abrimos espaço para a empatia — e não para o embate. É assim que as conversas deixam de ser guerras silenciosas e se tornam pontes de reconexão.</p>



<p data-block-type="core">O diálogo saudável não é sobre quem está certo, mas sobre como os dois podem se sentir melhor juntos. Essa é a base de qualquer reconstrução emocional.</p>



<p data-block-type="core"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f449.png" alt="👉" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> <strong>E lembre-se: o objetivo não é convencer, é</strong> <strong>conhecer-se e se conectar.</strong></p>



<p data-block-type="core">Muitos casais só decidem conversar quando o relacionamento já está à beira do colapso. Mas o diálogo precisa ser um hábito constante, e não uma medida emergencial.</p>



<p data-block-type="core">Reserve um momento na semana para conversar sem distrações — sem celular, sem TV, sem interrupções. Pode ser um café no domingo de manhã ou uma taça de vinho à noite. O importante é manter o espaço seguro e constante.</p>



<p data-block-type="core">Esse tempo de conversa não precisa ser sobre problemas. Pode ser um momento para trocar sonhos, falar sobre o futuro, relembrar o que fez vocês se apaixonarem. Pequenos rituais assim fortalecem o vínculo e reduzem as chances de afastamento.</p>



<p data-block-type="core">Casais que cultivam o hábito do diálogo têm menos conflitos acumulados e maior satisfação emocional. E se o diálogo ainda parecer difícil, a terapia de casal pode ajudar a reconstruir essa ponte com segurança e orientação profissional.</p>



<p data-block-type="core">Se esse tema desperta curiosidade, medo ou conflito, talvez seja o momento de olhar para ele com apoio profissional. <strong>Agende uma sessão comigo</strong> e vamos conversar sobre como construir vínculos conscientes, sem perder o prazer e o respeito.</p>
</blockquote>



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<h2 class="wp-block-heading has-poppins-font-family has-big-font-size" data-block-type="core"><strong>Marina Rotty</strong></h2>



<p class="has-poppins-font-family has-regular-font-size" data-block-type="core">Consulta presencial</p>



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<p data-block-type="core"></p>



<p class="has-poppins-font-family has-regular-font-size" data-block-type="core">Consulta online</p>



<div class="wp-block-essential-blocks-button  root-eb-button-bkf8x"><div class="eb-parent-wrapper eb-parent-eb-button-bkf8x "><div class="eb-button-wrapper eb-button-alignment eb-button-bkf8x"><div class="eb-button"><div class="eb-button-inner-wrapper "><a class="eb-button-anchor  " href="https://wa.link/qx3rug" target="_blank" rel="noopener"><i icon="fab fa-whatsapp" class="fab fa-whatsapp eb-button-icon eb-button-icon-left hvr-icon"></i>Agende seu horário</a></div></div></div></div></div>
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<div style="height:32px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer" data-block-type="core"></div>



<figure class="wp-block-image size-full" data-block-type="core"><picture class="wp-picture-1302" style="display: contents;"><source type="image/webp" srcset="https://marinarotty.com/wp-content/uploads/2025/06/marina-roty-foto-3-png.webp 1080w, https://marinarotty.com/wp-content/uploads/2025/06/marina-roty-foto-3-240x300-png.webp 240w, https://marinarotty.com/wp-content/uploads/2025/06/marina-roty-foto-3-819x1024-png.webp 819w, https://marinarotty.com/wp-content/uploads/2025/06/marina-roty-foto-3-768x960-png.webp 768w" sizes="(max-width: 499px) 100vw, 499px"><img data-dominant-color="c0a28d" data-has-transparency="true" style="--dominant-color: #c0a28d;" fetchpriority="high" decoding="async" width="1080" height="1350" sizes="(max-width: 499px) 100vw, 499px" src="https://marinarotty.com/wp-content/uploads/2025/06/marina-roty-foto-3.png" alt="sexóloga de casais, terapeuta sexual, especialista em relacionamentos liberais e não monogamia." class="wp-image-1302 has-transparency" title="apresentadora do Ponto A podcast, Marina Rotty atende como terapeuta, sexóloga e mentora em não monogamia " srcset="https://marinarotty.com/wp-content/uploads/2025/06/marina-roty-foto-3.png 1080w, https://marinarotty.com/wp-content/uploads/2025/06/marina-roty-foto-3-240x300.png 240w, https://marinarotty.com/wp-content/uploads/2025/06/marina-roty-foto-3-819x1024.png 819w, https://marinarotty.com/wp-content/uploads/2025/06/marina-roty-foto-3-768x960.png 768w" /></picture></figure>
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			</item>
		<item>
		<title>Bruxaria e Liberdade: Celebrando o Dia das Bruxas como uma Mulher Sexual e Livre</title>
		<link>https://marinarotty.com/bruxaria-e-liberdade-celebrando-o-dia-das-bruxas-como-uma-mulher-sexual-e-livre/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Rotty]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Oct 2025 19:22:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoestima]]></category>
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					<description><![CDATA[Com o Dia das Bruxas se aproximando – o Halloween, que cai no dia 31 de outubro, uma data repleta de mistérios, fantasias e celebrações do sobrenatural –, eu venho aqui refletir sobre a minha relação profunda com a &#8220;bruxaria&#8221;. Não falo de poções mágicas ou vassouras voadoras, mas de uma metáfora poderosa para a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p data-block-type="core">Com o Dia das Bruxas se aproximando – o Halloween, que cai no dia 31 de outubro, uma data repleta de mistérios, fantasias e celebrações do sobrenatural –, eu venho aqui refletir sobre a minha relação profunda com a &#8220;bruxaria&#8221;. Não falo de poções mágicas ou vassouras voadoras, mas de uma metáfora poderosa para a mulher que ousa ser sexualmente livre em um mundo patriarcal. Desde o momento em que me percebi como mulher, entendi que ser &#8220;bruxa&#8221; é uma necessidade de sobrevivência. Nesse mundão onde o lugar da mulher é pré-designado pela sociedade, pela família, pela religião e pelo Estado, ai daquela que questiona ou transgride! Ser bruxa, para mim, significa abraçar o poder feminino, incluindo a sexualidade sem amarras, e desafiar as normas que nos confinam.</p>



<p data-block-type="core">Minha jornada começou cedo, na infância, quando eu já questionava o meu lugar imposto. Lembro-me de confrontar o pai, a Igreja e as expectativas sociais com perguntas incômodas. As respostas vinham sempre no tom de resignação: &#8220;Não tem nada que você possa fazer pra mudar&#8221; ou &#8220;Aceita que dói menos&#8221;. Ah, que piada! O patriarcado parece não entender que a mulher nasce familiarizada com a dor – do parto aos ciclos menstruais, da opressão diária às violências sutis. Quando ela se dá conta de que a dor é uma companheira constante, tanto faz se é &#8220;menos&#8221; ou &#8220;mais&#8221;; ela aprende a transformá-la em força. É aí que entra a bruxaria: não como feitiçaria literal, mas como rebelião interna, um elixir de empoderamento que nos faz questionar e agir.</p>



<p data-block-type="core">Pense nos meus &#8220;poderes próprios&#8221;, como eu gosto de chamar. Quando criança, sonhava em ser juíza de futebol. A reação? Risadas e deboche: &#8220;Onde já se viu? Uma menininha bonitinha como você?&#8221;. Então, mudei para jogar futebol, e ouvi: &#8220;Tá louca? Meninas não fazem isso&#8221;. Não me conformei. Aprendi sozinha, assistindo jogos com meu pai, memorizando regras, expressões e jogadas. Na praia, em vez de tomar sol passivamente, pegava a bola e treinava embaixadinhas. Não era perfeita, mas fui lá e fiz, contra todas as vozes que diziam &#8220;impossível&#8221;. Essa determinação é bruxaria pura: conjurar o que nos negam.</p>



<p data-block-type="core">Mais tarde, o sonho evoluiu para ser pianista em um quarteto oficial da minha religião. Eu tinha tudo: tocava piano, cantava, compunha, arranjava e possuía ouvido absoluto. Mas faltava um &#8220;detalhe&#8221;: eu não era homem. A ficha caiu: o patriarcado barrava meu caminho só por causa do gênero. Aos 17 anos, criei meu próprio quarteto, só de mulheres. Foi uma declaração de independência! Depois, ao me deparar com diferenças salariais gritantes entre homens e mulheres – inclusive na religião, onde o mesmo trabalho valia menos para nós –, entendi que espaços tradicionais nunca acolheriam uma mulher insubordinada como eu. Alguém que questiona dogmas, que não segue cegamente? Não, obrigada. Para me olhar no espelho sem raiva de ter nascido mulher, precisei redefinir o que significa ser mulher.</p>



<p data-block-type="core">Nesse processo de autodescoberta, entrei em contato com minha sexualidade. Resgatei memórias da infância que já apontavam para um poder feminino inato, livre e sensual. Cheguei a um relacionamento liberal com meu marido, onde exploramos o prazer sem tabus. Hoje, ensino outras mulheres sobre autoconhecimento, paz com a sexualidade e o valor de ser dona de si. Isso, em nossa era, é rotulado como bruxaria. Historicamente, mulheres que exibiam liberdade sexual eram acusadas de feitiçaria, vistas como ameaças ao controle patriarcal. Por exemplo, nos julgamentos de bruxas da era moderna inicial, mulheres sexualmente ativas eram consideradas não confiáveis e frequentemente executadas, ecoando uma misoginia que ligava independência feminina à maldade. O tratado &#8220;Malleus Maleficarum&#8221; (1486), de Heinrich Kramer e Jacob Sprenger, retratava mulheres como fracas e propensas a tentações diabólicas, justificando sua perseguição por expressarem desejo ou autonomia.</p>



<p data-block-type="core">A associação entre bruxas e mulheres sexualmente livres não é nova. No livro &#8220;Witches, Sluts, Feminists: Conjuring the Sex Positive&#8221;, Kristen J. Sollee explora como as caças às bruxas demonizavam a sexualidade feminina, traçando uma linhagem de &#8220;bruxa feminista&#8221; que celebra a liberação sexual. Sollee argumenta que termos como &#8220;slut&#8221; (vadia) e &#8220;witch&#8221; (bruxa) surgem da mesma mentalidade misógina, punindo mulheres que rejeitam normas patriarcais. Essa visão ressoa com as caças às bruxas de Salém, onde garotas sexuais eram rotuladas como bruxas, refletindo um medo societal da liberação feminina. Hoje, ao me assumir como &#8220;bruxa&#8221;, abraço essa herança: mulheres insubordinadas, conhecedoras do corpo, da natureza e do prazer, que recusam a normatividade.</p>



<p data-block-type="core">Sei que esse texto vai chocar muitos. Vão arregalar os olhos ao me chamar de &#8220;bruxa&#8221;, como já fazem com minhas fotos e vídeos sensuais. Afinal, desde a Idade Média, é assim que chamam as que não seguem padrões patriarcais – livres, misteriosas, donas de si. Mulheres que conhecem os segredos da vida, da morte e do desejo são vistas como perigosas, mas é exatamente aí que reside nosso poder.</p>



<p data-block-type="core">PS: Pela lei da magia, tudo o que você faz ao outro volta para você. Fica a dica! Happy Halloween!</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core">Referências Bibliográficas</h3>



<ol class="wp-block-list" data-block-type="core">
<li data-block-type="core">Sollee, Kristen J. (2017). <em>Witches, Sluts, Feminists: Conjuring the Sex Positive</em>. Threel Media.</li>



<li data-block-type="core">Kramer, Heinrich; Sprenger, Jacob. (1486). <em>Malleus Maleficarum</em>. [Referenciado em artigos sobre caças às bruxas].</li>



<li data-block-type="core">Artigo: &#8220;Witch hunts were created by a society that feared female liberation&#8221;. Los Angeles Times High School Insider, 27 de janeiro de 2023.</li>
</ol>



<p data-block-type="core"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Por que a clínica precisa se atualizar para acolher diferentes modelos relacionais?</title>
		<link>https://marinarotty.com/por-que-a-clinica-precisa-se-atualizar-para-acolher-diferentes-modelos-relacionais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Rotty]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Sep 2025 18:31:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[atendimento]]></category>
		<category><![CDATA[atualização]]></category>
		<category><![CDATA[clinica]]></category>
		<category><![CDATA[profissional]]></category>
		<category><![CDATA[psicologo]]></category>
		<category><![CDATA[sessão]]></category>
		<category><![CDATA[sexologa]]></category>
		<category><![CDATA[terapeuta]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://marinarotty.com/?p=1357</guid>

					<description><![CDATA[Nos últimos anos, os consultórios têm recebido cada vez mais pessoas que vivem — ou desejam viver — modelos de relacionamento diferentes da monogamia tradicional. Relações abertas, poliamor, swing, entre outras formas, já não são exceção. Elas são parte do cenário atual das relações humanas. Mas será que a clínica está preparada para esse movimento? [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p data-block-type="core">Nos últimos anos, os consultórios têm recebido cada vez mais pessoas que vivem — ou desejam viver — modelos de relacionamento diferentes da monogamia tradicional. Relações abertas, poliamor, swing, entre outras formas, já não são exceção. Elas são parte do cenário atual das relações humanas. Mas será que a clínica está preparada para esse movimento?</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core">O risco de olhar com lentes antigas</h2>



<p data-block-type="core">Muitos profissionais ainda interpretam a não monogamia a partir de categorias ultrapassadas: como “traição”, “instabilidade” ou até “imaturidade”. Esse olhar não só distancia a clínica da realidade dos pacientes, como também reforça estigmas e produz sofrimento.</p>



<p data-block-type="core">A escuta clínica, quando feita a partir de lentes desatualizadas, deixa de ser um espaço de acolhimento e se torna mais uma experiência de julgamento.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core">O conceito de orientação relacional</h2>



<p data-block-type="core">Assim como falamos em orientação sexual ou identidade de gênero, a <strong>orientação relacional</strong> é uma chave clínica que ajuda a compreender como cada pessoa se posiciona frente aos vínculos afetivos e sexuais.</p>



<p data-block-type="core">Não se trata de uma “moda” ou de uma “fase”: trata-se de uma dimensão fundamental da identidade relacional de cada indivíduo. Reconhecer isso na clínica é reconhecer a singularidade de cada paciente.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core">Atualizar-se é responsabilidade ética</h2>



<p data-block-type="core">Quando um profissional entende que os modelos relacionais não se resumem à monogamia, ele amplia sua capacidade de escuta, cria estratégias mais precisas e respeitosas, e contribui para que o paciente se sinta de fato acolhido.</p>



<p data-block-type="core">Ignorar essas mudanças é correr o risco de oferecer um atendimento defasado — que não dialoga com a complexidade da vida contemporânea.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h2 class="wp-block-heading" data-block-type="core">Um convite à atualização</h2>



<p data-block-type="core">É por isso que desenvolvi a <a href="https://marinarotty.com/atualizacao-profissional-em-nao-monogamia/" data-type="page" data-id="1323" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Atualização Profissional: Estratégias Clínicas para Profissionais da Saúde</strong>.</a><br>Um espaço pensado para compartilhar ferramentas, conceitos e práticas que ajudam a compreender a orientação relacional e a lidar com as diferentes formas de vínculo presentes nos consultórios.</p>



<p data-block-type="core"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f4c5.png" alt="📅" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> O lançamento será no dia <strong>29 de setembro</strong>.<br><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f517.png" alt="🔗" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Quer ser avisado em primeira mão? Preencha o <a href="https://forms.gle/JXPWTNePeFA52RJW7" target="_blank" rel="noreferrer noopener">formulário de interesse</a></p>



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		<title>Swing não é bagunça: 7 argumentos para profissionais de saúde desconstruírem o preconceito</title>
		<link>https://marinarotty.com/swing-e-preconceito-nao-monogamia-profissionais-de-saude/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Rotty]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Aug 2025 13:46:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Relacionamento]]></category>
		<category><![CDATA[dia do swing]]></category>
		<category><![CDATA[não monogamia]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[psicologos]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
		<category><![CDATA[tabu]]></category>
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					<description><![CDATA[Apesar dos avanços nas discussões sobre diversidade relacional e sexual, o swing — prática não monogâmica consensual e amplamente presente na cultura brasileira — ainda é alvo de estigmas, inclusive dentro de contextos profissionais. No imaginário coletivo, é comum que o swing seja associado à promiscuidade, desvio moral ou instabilidade relacional. E isso precisa ser [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p data-block-type="core">Apesar dos avanços nas discussões sobre diversidade relacional e sexual, o swing — prática não monogâmica consensual e amplamente presente na cultura brasileira — ainda é alvo de estigmas, inclusive dentro de contextos profissionais. No imaginário coletivo, é comum que o swing seja associado à promiscuidade, desvio moral ou instabilidade relacional. E isso precisa ser revisto com urgência, principalmente por quem trabalha com saúde mental, sexualidade e relações humanas.</p>



<p data-block-type="core">Neste segundo sábado de agosto, quando se comemora o <strong>Dia do Swing</strong>, é oportuno refletir sobre o papel dos profissionais na manutenção ou na desconstrução desses estereótipos. Afinal, não é função da psicologia, da medicina ou da sexologia normatizar desejos, mas sim compreender as escolhas com base no contexto, no consentimento e no impacto real na vida dos indivíduos e dos vínculos que estabelecem.</p>



<p data-block-type="core">A seguir, trago sete argumentos fundamentais que podem ajudar profissionais de saúde a revisar seus próprios preconceitos — conscientes ou não — sobre o tema.</p>



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<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core">1. O swing é uma prática consensual entre adultos</h3>



<p data-block-type="core">Trata-se de uma experiência pautada em <strong>acordos claros, respeito mútuo e consentimento explícito</strong>. Quando compreendido nesse contexto, o swing não configura risco psicológico ou sexual em si — mas uma alternativa relacional legítima e organizada. Ignorar esse dado é negligenciar um dos princípios fundamentais da prática clínica: a autonomia.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core">2. Desafia o modelo normativo de posse nos vínculos afetivos</h3>



<p data-block-type="core">A monogamia, ainda que culturalmente dominante, não é sinônimo de amor ou compromisso. O swing propõe <strong>uma experiência relacional que separa exclusividade de fidelidade</strong>, revelando que o desejo pode coexistir com o afeto, sem que isso configure ameaça à qualidade da relação.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core">3. Envolve alto grau de comunicação e autorregulação emocional</h3>



<p data-block-type="core">Casais que vivem a experiência do swing frequentemente relatam <strong>melhora na comunicação, aprofundamento da intimidade e aumento da confiança</strong>. Não é incomum que, ao entrar nesse universo, os envolvidos revisem inseguranças, expressem fantasias e fortaleçam o vínculo conjugal.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core">4. Exige um enfrentamento consciente de valores e crenças</h3>



<p data-block-type="core">A adesão ao estilo de vida liberal requer <strong>reflexão ativa sobre padrões morais internalizados</strong>, autoconsciência e disposição para romper com convenções sociais. Em muitos casos, trata-se de um processo terapêutico em si, de individuação e empoderamento pessoal.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core">5. Expõe a hipocrisia da normatividade sexual</h3>



<p data-block-type="core">A sociedade consome pornografia em larga escala, naturaliza infidelidades, mas ainda <strong>julga práticas consensuais e abertas como “desvio”</strong>. <strong>Profissionais de saúde não devem reforçar essa lógica,</strong> mas sim atuar como pontes para a escuta sem julgamento e a validação de formas diversas de experienciar o desejo.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core">6. Não representa ausência de amor, responsabilidade ou ética</h3>



<p data-block-type="core">É preciso desfazer a ideia de que múltiplas experiências sexuais implicam superficialidade ou falta de comprometimento. Muitas relações swingers envolvem <strong>acordos sofisticados, limites bem definidos e elevado senso de responsabilidade afetiva e sexual</strong>.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core">7. O julgamento moral compromete a qualidade do cuidado</h3>



<p data-block-type="core">Seja em consultório, hospital ou contexto educacional, o preconceito interfere diretamente na escuta, no acolhimento e na construção da confiança terapêutica. Ao <strong>projetar valores pessoais sobre o paciente</strong>, o profissional corre o risco de invalidar sua vivência e perpetuar violência simbólica.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core">Considerações finais</h3>



<p data-block-type="core">O swing é apenas uma entre tantas expressões possíveis da sexualidade humana. Reconhecê-lo como prática legítima, consensual e complexa é papel de qualquer profissional comprometido com uma atuação ética, atualizada e livre de moralismos. Ao ampliar o repertório teórico e escutar verdadeiramente as pessoas que escolhem caminhos fora da norma, abrimos espaço para uma clínica (e uma sociedade) mais plural, segura e justa.</p>



<p data-block-type="core">Neste Dia do Swing, que tal refletir: qual parte do seu olhar ainda está preso ao tabu — e não à realidade?</p>



<p data-block-type="core">Marina Rotty</p>



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		<title>Promiscuidade: um diagnóstico moral da sexualidade feminina</title>
		<link>https://marinarotty.com/promiscuidade-um-diagnostico-moral-da-sexualidade-feminina/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Rotty]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Jul 2025 14:12:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma paciente chegou na minha sala incomodada com uma pergunta que fizeram a ela: &#8220;você se considera promíscua?&#8221; O incômodo vinha de uma sensação constante de julgamento da mulher, afinal, na esfera pública, o termo &#8220;promiscuidade&#8221; continua sendo utilizado como diagnóstico moral. Raramente técnico, quase sempre atravessado por julgamentos subjetivos, ele é frequentemente direcionado às [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p data-block-type="core">Uma paciente chegou na minha sala incomodada com uma pergunta que fizeram a ela: &#8220;você se considera promíscua?&#8221; O incômodo vinha de uma sensação constante de julgamento da mulher, afinal, na esfera pública, o termo &#8220;promiscuidade&#8221; continua sendo utilizado como diagnóstico moral. </p>



<p data-block-type="core">Raramente técnico, quase sempre atravessado por julgamentos subjetivos, ele é frequentemente direcionado às mulheres, sobretudo àquelas que ousam transitar fora da lógica relacional monogâmica ou heteronormativa. Essa rotulação, longe de ser neutra, revela séculos de repressão sexual feminina e de controle político sobre os corpos.</p>



<p data-block-type="core"></p>



<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core">A construção histórica da “mulher promíscua”</h3>



<p data-block-type="core">A ideia de que a mulher deve ser sexualmente contida, monogâmica e recatada não nasce do acaso. É resultado de um processo histórico de organização patriarcal da sociedade. Como apontam Michel Foucault (<em>História da Sexualidade</em>, 1976) e Silvia Federici (<em>O Calibã e a Bruxa</em>, 2004), a sexualidade feminina foi progressivamente enclausurada por mecanismos de poder que associaram prazer a culpa e desejo a desvio.</p>



<p data-block-type="core">Durante o século XIX e boa parte do século XX, a medicina e a psicologia consolidaram discursos que patologizavam qualquer comportamento sexual feminino que escapasse da norma matrimonial e reprodutiva. Termos como <em>ninfomania</em>, <em>histeria</em> e, mais tarde, <em>promiscuidade sexual</em> passaram a ser usados como forma de controle simbólico e institucional.</p>



<p data-block-type="core">A promiscuidade, nesse contexto, nunca foi apenas um comportamento observado, mas uma infração simbólica: a transgressão do papel social esperado da mulher. Não à toa, o mesmo comportamento — múltiplos parceiros, desejo sexual ativo, não exclusividade — é lido de forma diametralmente oposta quando se trata de homens. (Já percebeu que raramente se ouve a palavra no masculino &#8220;promíscuo&#8221;?) </p>



<p data-block-type="core"></p>



<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core">Promiscuidade ou autonomia sexual?</h3>



<p data-block-type="core">Autores contemporâneos como Regina Navarro Lins (<em>O Livro do Amor</em>, 2000) e Esther Perel (<em>Sexo no Cativeiro</em>, 2006) têm contribuído para ressignificar a sexualidade como uma expressão legítima do desejo humano, livre das amarras da moral religiosa ou patriarcal. Em suas análises, fica evidente que muitos comportamentos considerados “promíscuos” são, na verdade, expressões de autonomia sexual e relacional.</p>



<p data-block-type="core">Na perspectiva da sexologia moderna, promiscuidade não é um diagnóstico clínico, mas sim um juízo social. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), por exemplo, não define a quantidade de parceiros sexuais como critério para qualquer transtorno — a não ser quando há prejuízo significativo e sofrimento subjetivo, o que não se aplica a pessoas que vivem sua sexualidade de forma responsável, consensual e segura.</p>



<p data-block-type="core">É importante lembrar que a chamada &#8220;hipersexualidade&#8221;, quando presente, pode estar ligada a contextos muito distintos — desde impulsividade até tentativas de compensação emocional. Porém, mesmo nesses casos, deve ser avaliada com cuidado e sem confundir comportamento sexual ativo com patologia.</p>



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<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core">O efeito da repressão: quando o problema não é o desejo, mas a culpa</h3>



<p data-block-type="core">Paradoxalmente, o que a sociedade chama de promiscuidade muitas vezes nasce da própria repressão. Mulheres que foram impedidas de se conhecer sexualmente, que não tiveram acesso à educação sexual de qualidade, ou que foram punidas por expressarem desejo, acabam internalizando culpa, vergonha e confusão em relação ao próprio corpo.</p>



<p data-block-type="core">Como aponta Simone de Beauvoir (<em>O Segundo Sexo</em>, 1949), “não se nasce mulher, torna-se mulher” — e nesse tornar-se está embutido o processo de submissão às normas de gênero e sexualidade. O excesso, o impulso ou a desorganização sexual em algumas trajetórias não são frutos de liberdade excessiva, mas da ausência de espaços seguros para desenvolver uma sexualidade saudável.</p>



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<h3 class="wp-block-heading" data-block-type="core">Promiscuidade como sintoma social</h3>



<p data-block-type="core">É preciso, portanto, deslocar a pergunta. Quando alguém questiona se uma mulher é “promíscua”, a pergunta mais honesta seria: o que estamos chamando de promiscuidade e por quê?</p>



<p data-block-type="core">Se é pela frequência dos encontros, pela diversidade de parceiros, ou pelo desejo não-monogâmico, o que está sendo avaliado não é um comportamento disfuncional, mas um comportamento fora da norma. E normas, sabemos, não são neutras.</p>



<p data-block-type="core">Como sexóloga especialista em conexões e liberdade afetiva, prefiro avaliar a qualidade das escolhas, o grau de consentimento, o nível de consciência e os impactos emocionais — e não o número de experiências ou a forma como alguém vive sua sexualidade. O que nos adoece não é o desejo, mas a culpa imposta sobre ele.</p>



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