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	<title>Autoestima &#8211; Marina Rotty</title>
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	<description>especialista em liberdade afetiva</description>
	<lastBuildDate>Fri, 06 Mar 2026 13:20:20 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Autoestima &#8211; Marina Rotty</title>
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	<item>
		<title>Autonomia Para Sobreviver</title>
		<link>https://marinarotty.com/autonomia-dia-da-mulher/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Rotty]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Mar 2026 13:20:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoestima]]></category>
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					<description><![CDATA[A autonomia afetiva pode ser uma estratégia de sobrevivência e liberdade feminina No Brasil de 2026, onde os índices de violência contra a mulher seguem em patamares alarmantes, falar sobre o Dia da Mulher exige sobriedade. A autonomia feminina não é apenas um conceito abstrato de liberdade; é uma barreira de proteção. Quando uma mulher retoma para si a autoridade sobre seus afetos, ela quebra o ciclo de dependência que, muitas vezes, serve de solo para a violência doméstica e patrimonial. A Não Monogamia como Ferramenta de Emancipação A estrutura das não monogamias oferece uma base sólida para o desenvolvimento desse pensamento autônomo. Ao questionarmos a posse e a exclusividade compulsória — pilares do patriarcado —, abrimos espaço para uma subjetividade feminina que não gira em torno de um único centro de validação masculina. Reflexão Clínica e Social: O Direito à Arquitetura do Próprio Destino Incentivar a autonomia afetiva é um ato de saúde pública. Ser a arquiteta da própria vida relacional — seja escolhendo a monogamia consciente ou as diversas formas de não monogamia — é o caminho para que a mulher deixe de ser coadjuvante na história do outro e passe a ser a protagonista da sua integridade física e mental. Que este dia seja um lembrete de que a nossa maior segurança reside na nossa capacidade de sermos livres.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A a<em>utonomia afetiva pode ser uma estratégia de sobrevivência e liberdade feminina</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil de 2026, onde os índices de violência contra a mulher seguem em patamares alarmantes, falar sobre o Dia da Mulher exige sobriedade. A autonomia feminina não é apenas um conceito abstrato de liberdade; é uma barreira de proteção. Quando uma mulher retoma para si a autoridade sobre seus afetos, ela quebra o ciclo de dependência que, muitas vezes, serve de solo para a violência doméstica e patrimonial.</p>



<h3 class="wp-block-heading">A Não Monogamia como Ferramenta de Emancipação</h3>



<p class="wp-block-paragraph">A estrutura das não monogamias oferece uma base sólida para o desenvolvimento desse pensamento autônomo. Ao questionarmos a posse e a exclusividade compulsória — pilares do patriarcado —, abrimos espaço para uma subjetividade feminina que não gira em torno de um único centro de validação masculina.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Reflexão Clínica e Social:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>A Desconstrução da Posse:</strong> A violência de gênero está intrinsecamente ligada à ideia do &#8220;corpo da mulher como propriedade&#8221;. As não monogamias propõem uma ética de liberdade que combate diretamente essa raiz cultural.</li>



<li><strong>Redes de Apoio vs. Isolamento:</strong> O agressor costuma isolar a mulher de seu círculo social. Em contrapartida, as vivências não monogâmicas incentivam a construção de redes de afeto plurais, garantindo que a mulher tenha onde se apoiar emocional e fisicamente.</li>



<li><strong>Agência e Autoestima:</strong> Desenvolver a autonomia para desejar e ser desejada fora de um contrato rígido de &#8220;zelo&#8221; masculino fortalece a autoestima, tornando a mulher mais resiliente contra abusos psicológicos e manipulações.</li>
</ul>



<h3 class="wp-block-heading">O Direito à Arquitetura do Próprio Destino</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Incentivar a autonomia afetiva é um ato de saúde pública. Ser a arquiteta da própria vida relacional — seja escolhendo a monogamia consciente ou as diversas formas de não monogamia — é o caminho para que a mulher deixe de ser coadjuvante na história do outro e passe a ser a protagonista da sua integridade física e mental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que este dia seja um lembrete de que a <strong>nossa maior segurança reside na nossa capacidade de sermos livres.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Por Que Transar com Desconhecidos é Tão Fascinante Para Muitas Mulheres</title>
		<link>https://marinarotty.com/por-que-transar-com-desconhecidos-e-tao-fascinante-para-muitas-mulheres/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Rotty]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Feb 2026 13:23:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoestima]]></category>
		<category><![CDATA[autonomia feminina]]></category>
		<category><![CDATA[identidade]]></category>
		<category><![CDATA[sexo com desconhecidos]]></category>
		<category><![CDATA[sexo com estranhos]]></category>
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					<description><![CDATA[Além do Tabu: Por que o Desconhecido Fascina? Uma Análise entre a Psicanálise e a Genética No universo da sexologia, poucas fantasias são tão recorrentes — e ainda tão cercadas de estigma — quanto o tesão pelo encontro com desconhecidos. Para muitas mulheres, a excitação não reside na construção de uma história, mas justamente na ausência dela. Por que o anonimato é, para tantas, um potente afrodisíaco? Para muitas, esse desejo não vem desacompanhado: ele costuma carregar o peso de uma culpa silenciosa. Existe uma pressão social invisível que dita que o erotismo feminino deve estar obrigatoriamente ancorado no afeto, na segurança e na admiração por quem já se conhece. Quando uma mulher percebe que seu corpo vibra justamente na contramão dessa regra — sentindo-se atraída pelo anonimato e pela ausência de laços —, ela frequentemente questiona sua própria &#8216;normalidade&#8217;. É como se houvesse um defeito em não desejar apenas o familiar, como se a busca pelo desconhecido fosse uma falha moral, e não uma manifestação autêntica de sua neurobiologia e de sua psiquê. O Alívio da Identidade: O Prazer de ser &#8220;Ninguém&#8221; Sob a ótica da psicanálise, todos nós carregamos o peso de quem somos. Somos filhas, profissionais, mães ou parceiras dedicadas. Esse &#8220;Eu&#8221; social é cheio de expectativas e regras. O encontro com um desconhecido oferece o que chamamos de despersonalização momentânea. Diante de alguém que não sabe seu nome ou seu passado, você não precisa ser &#8220;coerente&#8221;. Esse vácuo de informação permite que a mulher explore facetas de sua sexualidade que poderiam ser inibidas em um relacionamento de longo prazo. É o prazer de ser uma página em branco, onde o único compromisso é com a pulsão do momento. A &#8220;Fome&#8221; de Dopamina: O Gene DRD4-7R Nem tudo é simbólico; parte do desejo pode ser puramente biológico. Pesquisas em neurogenética apontam para a existência da variante 7R do gene DRD4, frequentemente associada à busca por novidade e ao comportamento de risco. Indivíduos com essa variante possuem mais receptores de dopamina. Na prática, isso significa que o &#8220;sistema de recompensa&#8221; do cérebro dessas pessoas opera em uma voltagem mais baixa. Para sentirem o mesmo nível de satisfação que uma pessoa comum, elas precisam de estímulos mais intensos. Identidade de Vínculo A ciência e a sexologia contemporânea começam a propor um conceito revolucionário: a existência de uma Orientação Relacional. Assim como compreendemos a orientação sexual (por quem nos atraímos), a identidade de vínculo descreve como nos vinculamos. Para algumas pessoas, o modelo de exclusividade e intimidade profunda é o que traz segurança e excitação (monocronia). Para outras, a variedade e o desapego não são fases, mas uma característica intrínseca de sua identidade erótica. Mulheres que sentem esse desejo recorrente podem possuir uma orientação relacional voltada para a exploração. Nesse cenário, o &#8220;desconhecido&#8221; não é um substituto para um parceiro fixo, mas uma necessidade de expansão do Self que a monogamia tradicional, por definição, limita. O Desconhecido como &#8220;Objeto de Projeção&#8221; Lacan nos ensinou que o desejo é movido pela &#8220;falta&#8221;. No relacionamento estável, a intimidade preenche os espaços; conhecemos os defeitos, as rotinas e as fragilidades do outro. O mistério acaba. Já o desconhecido funciona como uma tela vazia. Como não sabemos quem ele é, projetamos nele o nosso &#8220;amante ideal&#8221;. O desejo, então, não é pelo homem real à nossa frente, mas pela fantasia absoluta que ele nos permite sustentar. O anonimato protege a fantasia da invasão da realidade. &#8220;O desejo não é um tribunal. Você não precisa de uma justificativa moral para o que o seu corpo sente, mas precisa de autoconhecimento para entender como ele funciona.&#8221; Marina Rotty Entender o desejo por desconhecidos como uma mistura de alívio psíquico, necessidade neuroquímica e identidade de vínculo retira o peso da culpa e abre espaço para uma sexualidade mais ética e consciente. Seja por uma predisposição genética ao alelo 7R ou pela busca psíquica de liberdade, o encontro com o Outro radical permanece como uma das fronteiras mais fascinantes da experiência humana.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Além do Tabu: Por que o Desconhecido Fascina? Uma Análise entre a Psicanálise e a Genética</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No universo da sexologia, poucas fantasias são tão recorrentes — e ainda tão cercadas de estigma — quanto o tesão pelo encontro com desconhecidos. Para muitas mulheres, a excitação não reside na construção de uma história, mas justamente na ausência dela. Por que o anonimato é, para tantas, um potente afrodisíaco?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para muitas, esse desejo não vem desacompanhado: ele costuma carregar o peso de uma culpa silenciosa. Existe uma pressão social invisível que dita que o erotismo feminino deve estar obrigatoriamente ancorado no afeto, na segurança e na admiração por quem já se conhece. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando uma mulher percebe que seu corpo vibra justamente na contramão dessa regra — sentindo-se atraída pelo anonimato e pela ausência de laços —, ela frequentemente questiona sua própria &#8216;normalidade&#8217;. É como se houvesse um defeito em não desejar apenas o familiar, como se a busca pelo desconhecido fosse uma falha moral, e não uma manifestação autêntica de sua neurobiologia e de sua psiquê.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h2 class="wp-block-heading">O Alívio da Identidade: O Prazer de ser &#8220;Ninguém&#8221;</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Sob a ótica da psicanálise, todos nós carregamos o peso de quem somos. Somos filhas, profissionais, mães ou parceiras dedicadas. Esse &#8220;Eu&#8221; social é cheio de expectativas e regras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O encontro com um desconhecido oferece o que chamamos de <strong>despersonalização momentânea</strong>. Diante de alguém que não sabe seu nome ou seu passado, você não precisa ser &#8220;coerente&#8221;. Esse vácuo de informação permite que a mulher explore facetas de sua sexualidade que poderiam ser inibidas em um relacionamento de longo prazo. É o prazer de ser uma página em branco, onde o único compromisso é com a pulsão do momento.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h2 class="wp-block-heading">A &#8220;Fome&#8221; de Dopamina: O Gene DRD4-7R</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Nem tudo é simbólico; parte do desejo pode ser puramente biológico. <a href="https://marinarotty.com/nao-monogamia-no-dna/" data-type="post" data-id="785">Pesquisas em neurogenética</a> apontam para a existência da variante <strong>7R</strong> do gene <strong>DRD4</strong>, frequentemente associada à busca por novidade e ao comportamento de risco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Indivíduos com essa variante possuem mais receptores de dopamina. Na prática, isso significa que o &#8220;sistema de recompensa&#8221; do cérebro dessas pessoas opera em uma voltagem mais baixa. Para sentirem o mesmo nível de satisfação que uma pessoa comum, elas precisam de estímulos mais intensos.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>O sexo com um desconhecido fornece o &#8220;combo&#8221; neuroquímico perfeito: a <strong>novidade</strong> (estímulo visual e tátil inédito) somada ao <strong>risco</strong> (o frio na barriga do inesperado).</li>



<li>Aqui, o comportamento não é uma falha de caráter, mas uma forma de <strong>autorregulação neuroquímica</strong>. O corpo está, literalmente, buscando &#8220;acender&#8221; seus centros de prazer.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h2 class="wp-block-heading">Identidade de Vínculo</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A ciência e a sexologia contemporânea começam a propor um conceito revolucionário: a existência de uma <strong>Orientação Relacional</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como compreendemos a orientação sexual (por quem nos atraímos), a identidade de vínculo descreve <em>como</em> nos vinculamos. Para algumas pessoas, o modelo de exclusividade e intimidade profunda é o que traz segurança e excitação (monocronia). Para outras, a <strong>variedade e o desapego</strong> não são fases, mas uma característica intrínseca de sua identidade erótica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mulheres que sentem esse desejo recorrente podem possuir uma <a href="https://marinarotty.com/orientacao-relacional-por-que-amar-nao-deveria-doer/" data-type="post" data-id="1711">orientação relacional </a>voltada para a <strong>exploração</strong>. Nesse cenário, o &#8220;desconhecido&#8221; não é um substituto para um parceiro fixo, mas uma necessidade de expansão do Self que a monogamia tradicional, por definição, limita.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h2 class="wp-block-heading">O Desconhecido como &#8220;Objeto de Projeção&#8221;</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Lacan nos ensinou que o desejo é movido pela &#8220;falta&#8221;. No relacionamento estável, a intimidade preenche os espaços; conhecemos os defeitos, as rotinas e as fragilidades do outro. O mistério acaba.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já o desconhecido funciona como uma tela vazia. Como não sabemos quem ele é, projetamos nele o nosso &#8220;amante ideal&#8221;. O desejo, então, não é pelo homem real à nossa frente, mas pela <strong>fantasia absoluta</strong> que ele nos permite sustentar. O anonimato protege a fantasia da invasão da realidade.</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>&#8220;O desejo não é um tribunal. Você não precisa de uma justificativa moral para o que o seu corpo sente, mas precisa de autoconhecimento para entender como ele funciona.&#8221;</p><cite>Marina Rotty</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Entender o desejo por desconhecidos como uma mistura de alívio psíquico, necessidade neuroquímica e identidade de vínculo retira o peso da culpa e abre espaço para uma sexualidade mais ética e consciente. Seja por uma predisposição genética ao alelo 7R ou pela busca psíquica de liberdade, o encontro com o Outro radical permanece como uma das fronteiras mais fascinantes da experiência humana.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Bruxaria e Liberdade: Celebrando o Dia das Bruxas como uma Mulher Sexual e Livre</title>
		<link>https://marinarotty.com/bruxaria-e-liberdade-celebrando-o-dia-das-bruxas-como-uma-mulher-sexual-e-livre/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Rotty]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Oct 2025 19:22:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoestima]]></category>
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					<description><![CDATA[Com o Dia das Bruxas se aproximando – o Halloween, que cai no dia 31 de outubro, uma data repleta de mistérios, fantasias e celebrações do sobrenatural –, eu venho aqui refletir sobre a minha relação profunda com a &#8220;bruxaria&#8221;. Não falo de poções mágicas ou vassouras voadoras, mas de uma metáfora poderosa para a mulher que ousa ser sexualmente livre em um mundo patriarcal. Desde o momento em que me percebi como mulher, entendi que ser &#8220;bruxa&#8221; é uma necessidade de sobrevivência. Nesse mundão onde o lugar da mulher é pré-designado pela sociedade, pela família, pela religião e pelo Estado, ai daquela que questiona ou transgride! Ser bruxa, para mim, significa abraçar o poder feminino, incluindo a sexualidade sem amarras, e desafiar as normas que nos confinam. Minha jornada começou cedo, na infância, quando eu já questionava o meu lugar imposto. Lembro-me de confrontar o pai, a Igreja e as expectativas sociais com perguntas incômodas. As respostas vinham sempre no tom de resignação: &#8220;Não tem nada que você possa fazer pra mudar&#8221; ou &#8220;Aceita que dói menos&#8221;. Ah, que piada! O patriarcado parece não entender que a mulher nasce familiarizada com a dor – do parto aos ciclos menstruais, da opressão diária às violências sutis. Quando ela se dá conta de que a dor é uma companheira constante, tanto faz se é &#8220;menos&#8221; ou &#8220;mais&#8221;; ela aprende a transformá-la em força. É aí que entra a bruxaria: não como feitiçaria literal, mas como rebelião interna, um elixir de empoderamento que nos faz questionar e agir. Pense nos meus &#8220;poderes próprios&#8221;, como eu gosto de chamar. Quando criança, sonhava em ser juíza de futebol. A reação? Risadas e deboche: &#8220;Onde já se viu? Uma menininha bonitinha como você?&#8221;. Então, mudei para jogar futebol, e ouvi: &#8220;Tá louca? Meninas não fazem isso&#8221;. Não me conformei. Aprendi sozinha, assistindo jogos com meu pai, memorizando regras, expressões e jogadas. Na praia, em vez de tomar sol passivamente, pegava a bola e treinava embaixadinhas. Não era perfeita, mas fui lá e fiz, contra todas as vozes que diziam &#8220;impossível&#8221;. Essa determinação é bruxaria pura: conjurar o que nos negam. Mais tarde, o sonho evoluiu para ser pianista em um quarteto oficial da minha religião. Eu tinha tudo: tocava piano, cantava, compunha, arranjava e possuía ouvido absoluto. Mas faltava um &#8220;detalhe&#8221;: eu não era homem. A ficha caiu: o patriarcado barrava meu caminho só por causa do gênero. Aos 17 anos, criei meu próprio quarteto, só de mulheres. Foi uma declaração de independência! Depois, ao me deparar com diferenças salariais gritantes entre homens e mulheres – inclusive na religião, onde o mesmo trabalho valia menos para nós –, entendi que espaços tradicionais nunca acolheriam uma mulher insubordinada como eu. Alguém que questiona dogmas, que não segue cegamente? Não, obrigada. Para me olhar no espelho sem raiva de ter nascido mulher, precisei redefinir o que significa ser mulher. Nesse processo de autodescoberta, entrei em contato com minha sexualidade. Resgatei memórias da infância que já apontavam para um poder feminino inato, livre e sensual. Cheguei a um relacionamento liberal com meu marido, onde exploramos o prazer sem tabus. Hoje, ensino outras mulheres sobre autoconhecimento, paz com a sexualidade e o valor de ser dona de si. Isso, em nossa era, é rotulado como bruxaria. Historicamente, mulheres que exibiam liberdade sexual eram acusadas de feitiçaria, vistas como ameaças ao controle patriarcal. Por exemplo, nos julgamentos de bruxas da era moderna inicial, mulheres sexualmente ativas eram consideradas não confiáveis e frequentemente executadas, ecoando uma misoginia que ligava independência feminina à maldade. O tratado &#8220;Malleus Maleficarum&#8221; (1486), de Heinrich Kramer e Jacob Sprenger, retratava mulheres como fracas e propensas a tentações diabólicas, justificando sua perseguição por expressarem desejo ou autonomia. A associação entre bruxas e mulheres sexualmente livres não é nova. No livro &#8220;Witches, Sluts, Feminists: Conjuring the Sex Positive&#8221;, Kristen J. Sollee explora como as caças às bruxas demonizavam a sexualidade feminina, traçando uma linhagem de &#8220;bruxa feminista&#8221; que celebra a liberação sexual. Sollee argumenta que termos como &#8220;slut&#8221; (vadia) e &#8220;witch&#8221; (bruxa) surgem da mesma mentalidade misógina, punindo mulheres que rejeitam normas patriarcais. Essa visão ressoa com as caças às bruxas de Salém, onde garotas sexuais eram rotuladas como bruxas, refletindo um medo societal da liberação feminina. Hoje, ao me assumir como &#8220;bruxa&#8221;, abraço essa herança: mulheres insubordinadas, conhecedoras do corpo, da natureza e do prazer, que recusam a normatividade. Sei que esse texto vai chocar muitos. Vão arregalar os olhos ao me chamar de &#8220;bruxa&#8221;, como já fazem com minhas fotos e vídeos sensuais. Afinal, desde a Idade Média, é assim que chamam as que não seguem padrões patriarcais – livres, misteriosas, donas de si. Mulheres que conhecem os segredos da vida, da morte e do desejo são vistas como perigosas, mas é exatamente aí que reside nosso poder. PS: Pela lei da magia, tudo o que você faz ao outro volta para você. Fica a dica! Happy Halloween! Referências Bibliográficas]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Com o Dia das Bruxas se aproximando – o Halloween, que cai no dia 31 de outubro, uma data repleta de mistérios, fantasias e celebrações do sobrenatural –, eu venho aqui refletir sobre a minha relação profunda com a &#8220;bruxaria&#8221;. Não falo de poções mágicas ou vassouras voadoras, mas de uma metáfora poderosa para a mulher que ousa ser sexualmente livre em um mundo patriarcal. Desde o momento em que me percebi como mulher, entendi que ser &#8220;bruxa&#8221; é uma necessidade de sobrevivência. Nesse mundão onde o lugar da mulher é pré-designado pela sociedade, pela família, pela religião e pelo Estado, ai daquela que questiona ou transgride! Ser bruxa, para mim, significa abraçar o poder feminino, incluindo a sexualidade sem amarras, e desafiar as normas que nos confinam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Minha jornada começou cedo, na infância, quando eu já questionava o meu lugar imposto. Lembro-me de confrontar o pai, a Igreja e as expectativas sociais com perguntas incômodas. As respostas vinham sempre no tom de resignação: &#8220;Não tem nada que você possa fazer pra mudar&#8221; ou &#8220;Aceita que dói menos&#8221;. Ah, que piada! O patriarcado parece não entender que a mulher nasce familiarizada com a dor – do parto aos ciclos menstruais, da opressão diária às violências sutis. Quando ela se dá conta de que a dor é uma companheira constante, tanto faz se é &#8220;menos&#8221; ou &#8220;mais&#8221;; ela aprende a transformá-la em força. É aí que entra a bruxaria: não como feitiçaria literal, mas como rebelião interna, um elixir de empoderamento que nos faz questionar e agir.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pense nos meus &#8220;poderes próprios&#8221;, como eu gosto de chamar. Quando criança, sonhava em ser juíza de futebol. A reação? Risadas e deboche: &#8220;Onde já se viu? Uma menininha bonitinha como você?&#8221;. Então, mudei para jogar futebol, e ouvi: &#8220;Tá louca? Meninas não fazem isso&#8221;. Não me conformei. Aprendi sozinha, assistindo jogos com meu pai, memorizando regras, expressões e jogadas. Na praia, em vez de tomar sol passivamente, pegava a bola e treinava embaixadinhas. Não era perfeita, mas fui lá e fiz, contra todas as vozes que diziam &#8220;impossível&#8221;. Essa determinação é bruxaria pura: conjurar o que nos negam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais tarde, o sonho evoluiu para ser pianista em um quarteto oficial da minha religião. Eu tinha tudo: tocava piano, cantava, compunha, arranjava e possuía ouvido absoluto. Mas faltava um &#8220;detalhe&#8221;: eu não era homem. A ficha caiu: o patriarcado barrava meu caminho só por causa do gênero. Aos 17 anos, criei meu próprio quarteto, só de mulheres. Foi uma declaração de independência! Depois, ao me deparar com diferenças salariais gritantes entre homens e mulheres – inclusive na religião, onde o mesmo trabalho valia menos para nós –, entendi que espaços tradicionais nunca acolheriam uma mulher insubordinada como eu. Alguém que questiona dogmas, que não segue cegamente? Não, obrigada. Para me olhar no espelho sem raiva de ter nascido mulher, precisei redefinir o que significa ser mulher.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse processo de autodescoberta, entrei em contato com minha sexualidade. Resgatei memórias da infância que já apontavam para um poder feminino inato, livre e sensual. Cheguei a um relacionamento liberal com meu marido, onde exploramos o prazer sem tabus. Hoje, ensino outras mulheres sobre autoconhecimento, paz com a sexualidade e o valor de ser dona de si. Isso, em nossa era, é rotulado como bruxaria. Historicamente, mulheres que exibiam liberdade sexual eram acusadas de feitiçaria, vistas como ameaças ao controle patriarcal. Por exemplo, nos julgamentos de bruxas da era moderna inicial, mulheres sexualmente ativas eram consideradas não confiáveis e frequentemente executadas, ecoando uma misoginia que ligava independência feminina à maldade. O tratado &#8220;Malleus Maleficarum&#8221; (1486), de Heinrich Kramer e Jacob Sprenger, retratava mulheres como fracas e propensas a tentações diabólicas, justificando sua perseguição por expressarem desejo ou autonomia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A associação entre bruxas e mulheres sexualmente livres não é nova. No livro &#8220;Witches, Sluts, Feminists: Conjuring the Sex Positive&#8221;, Kristen J. Sollee explora como as caças às bruxas demonizavam a sexualidade feminina, traçando uma linhagem de &#8220;bruxa feminista&#8221; que celebra a liberação sexual. Sollee argumenta que termos como &#8220;slut&#8221; (vadia) e &#8220;witch&#8221; (bruxa) surgem da mesma mentalidade misógina, punindo mulheres que rejeitam normas patriarcais. Essa visão ressoa com as caças às bruxas de Salém, onde garotas sexuais eram rotuladas como bruxas, refletindo um medo societal da liberação feminina. Hoje, ao me assumir como &#8220;bruxa&#8221;, abraço essa herança: mulheres insubordinadas, conhecedoras do corpo, da natureza e do prazer, que recusam a normatividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sei que esse texto vai chocar muitos. Vão arregalar os olhos ao me chamar de &#8220;bruxa&#8221;, como já fazem com minhas fotos e vídeos sensuais. Afinal, desde a Idade Média, é assim que chamam as que não seguem padrões patriarcais – livres, misteriosas, donas de si. Mulheres que conhecem os segredos da vida, da morte e do desejo são vistas como perigosas, mas é exatamente aí que reside nosso poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PS: Pela lei da magia, tudo o que você faz ao outro volta para você. Fica a dica! Happy Halloween!</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<h3 class="wp-block-heading">Referências Bibliográficas</h3>



<ol class="wp-block-list">
<li>Sollee, Kristen J. (2017). <em>Witches, Sluts, Feminists: Conjuring the Sex Positive</em>. Threel Media.</li>



<li>Kramer, Heinrich; Sprenger, Jacob. (1486). <em>Malleus Maleficarum</em>. [Referenciado em artigos sobre caças às bruxas].</li>



<li>Artigo: &#8220;Witch hunts were created by a society that feared female liberation&#8221;. Los Angeles Times High School Insider, 27 de janeiro de 2023.</li>
</ol>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Causas de Sofrimento da População NMC</title>
		<link>https://marinarotty.com/causas-de-sofrimento-da-populacao-nmc/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Rotty]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Aug 2024 05:23:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoestima]]></category>
		<category><![CDATA[bem estar]]></category>
		<category><![CDATA[estigma]]></category>
		<category><![CDATA[não monogamia consensual]]></category>
		<category><![CDATA[nmc]]></category>
		<category><![CDATA[poliamor]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamento aberto]]></category>
		<category><![CDATA[sofrimento]]></category>
		<category><![CDATA[swing]]></category>
		<category><![CDATA[trisal]]></category>
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					<description><![CDATA[Estudo mostra que o estigma negativo afeta bem estar da população em relacionamentos não monogâmicos consensuais.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
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<p class="wp-block-paragraph">Um estudo de pesquisa recente, publicado no Boletim de Personalidade e Psicologia Social, descobriu que pessoas em relacionamentos Consensualmente Não Monogâmicos (CNM) enfrentam estigma social negativo que afeta seu bem-estar.<br><br>Pesquisas anteriores já estabeleceram que as pessoas tendem a ver os relacionamentos CNM de forma mais negativa do que a monogamia. O novo estudo pesquisou 372 pessoas em relacionamentos CNM e descobriu que cerca de 40% delas relataram ter sofrido estigma negativo como resultado de seu relacionamento.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Quatro temas surgiram entre aqueles que relataram ter sofrido estigma: expressões de desconforto ou desaprovação de seu relacionamento com CNM, perda de recursos ou comportamento ameaçador, desvalorização ou diminuição de seu caráter e desvalorização ou diminuição de seu relacionamento.</p>



<figure class="wp-block-pullquote has-medium-font-size" style="font-style:italic;font-weight:600"><blockquote><p>“Pessoas em relacionamentos consensualmente não monogâmicos realmente relatam que vivenciam o estigma de várias maneiras”</p><cite>Elizabeth Mahar</cite></blockquote></figure>



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<h2 class="wp-block-heading">Efeitos do estigma negativo</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><br>“Pessoas em relacionamentos consensualmente não monogâmicos realmente relatam que vivenciam o estigma de várias maneiras”, diz a principal autora do estudo, Elizabeth Mahar, da University of British Columbia. “Além disso, esse estigma vivenciado está associado ao sofrimento psicológico.”<br><br>O estudo também examinou os efeitos desse estigma no bem-estar das pessoas em relacionamentos CNM. Pesquisando 383 participantes, os pesquisadores descobriram que experimentar estigma negativo estava relacionado ao aumento do sofrimento psicológico. Essa associação também estava ligada ao estigma antecipado (até que ponto as pessoas esperam ser tratadas ou consideradas mal) e ao estigma internalizado (o grau em que as pessoas se sentem culpadas por seu relacionamento com o CNM).</p>



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<h2 class="wp-block-heading">Minorias</h2>



<p class="wp-block-paragraph"><br>“Pesquisas anteriores descobriram que pessoas com identidades marginalizadas (por exemplo, indivíduos LGBTQ) vivenciam o estigma de várias maneiras únicas”, diz o Dr. Mahar. </p>



<figure class="wp-block-pullquote is-style-plain has-medium-font-size" style="font-style:italic;font-weight:600"><blockquote><p>“Encontramos um padrão semelhante para pessoas em relacionamentos consensualmente não monogâmicos”.</p><cite>E. Mahar</cite></blockquote></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Vale a pena notar que mais de um quinto dos americanos e canadenses relatam ter estado em um relacionamento CNM em algum momento de suas vidas. A Dr. Mahar enfatiza a importância de estarmos atentos a como podemos estar envolvidos em comportamentos que afetam negativamente o bem-estar das pessoas nos relacionamentos do CNM.</p>



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<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><strong><em>“Obter uma melhor compreensão do estigma e como ele está ligado ao bem-estar permitirá desenvolver e implementar intervenções para mitigar efetivamente os efeitos nocivos do estresse minoritário para pessoas consensualmente não monogâmicas”.</em></strong><br></p></blockquote></figure>



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<p class="wp-block-paragraph"><br>Fonte: https://scienceblog.com/535522/stigma-affects-well-being-of-people-in-consensually-non-monogamous-relationships/</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Antes de Ser Mãe, Seja Mulher.</title>
		<link>https://marinarotty.com/antes-de-ser-mae-seja-mulher/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Rotty]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 May 2024 18:15:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoestima]]></category>
		<category><![CDATA[mãe]]></category>
		<category><![CDATA[maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma mulher criou perfil no Tinder e na descrição, entre outras coisas, escreveu que era mãe. Segundo ela, isso era um experimento para mostrar o quanto as mães solteiras são discriminadas por estarem em busca de um parceiro. A forma como ela foi tratada por alguns homens é chocante e chamou a minha atenção para um assunto que até então, me parecia muito normal. Mas que na verdade, não é não. Quando uma mulher vira mãe, parece que ela se torna uma espécie de santa: não come, não dorme e faz milagres! A sociedade coloca as mães num pedestal – sabiam que o dia das mães só perde para o natal em compras? Mãe que é mãe não erra, sabe de tudo, faz profecia (que se cumpre, incrível!). E claro, mãe que é mãe, não faz sexo. Uma pessoa que não entende o esquema dos papéis sociais pode ter muita dificuldade em entender que um ser humano pode exercer funções variadas sem que uma anule a outra. Uma única pessoa pode ser mulher, mãe, filha, profissional e faxineira. Geralmente a gente exerce muitos outros papéis além disso, tanto mulheres quanto homens. Esse jogo de identidade é natural, faz parte da vida de todo mundo. O ‘papel mãe‘ já começa com sexo. Aliás, só existe mãe porque a mulher fez sexo, né? O período de gestação mexe com a libido da mulher, muitas vezes a vontade de fazer sexo aumenta nos meses em que carrega o filho. A criança nasce pela vagina e é alimentada pelos seios. Todo o processo maternal está intimamente ligado ao sexo. Então porque nos incomodamos quando vemos mães sexualmente livres? Ou porque é impossível imaginar sua mãe transando com alguém? Elementar, meu caro leitor. Porque em momentos como esse, elas estão exercendo mais do que um papel ao mesmo tempo. Explico: quando você vai à praia, não usa terno nem leva papelada de escritório, porque ali, naquele momento, você está no papel de descanso. O mesmo acontece quando tem que ir ao escritório, ninguém vai de havaianas e bermudão, porque naquele momento, o papel a desempenhar é o de profissional. Nunca vi um casal que tivesse relação sexual na frente dos filhos, porque o papel de pai/mãe contrasta com o papel de amantes. Por isso sentimos estranheza quando vemos pessoas misturando papéis sociais. Isso não quer dizer que é errado, nem certo. O fato de não concordar com as atitudes dos outros não dá o direito de xingá-lo, maltratá-lo e humilhá-lo, que foi o que aconteceu com a mãe no Tinder. Ela foi xingada, foi julgada de estar procurando macho ao invés de cuidar do filho, foi julgada por estar solteira e tantos outros absurdos. Mas naquele momento ela não era mãe, ela era mulher! Com as necessidades e complexidades que qualquer outra mulher teria, incluindo as mães dos acusadores. “Ser mulher não é fácil. Ser mulher e mãe, menos ainda. Ser mulher, mãe e reivindicar uma vida social fora dos padrões patriarcais, é enlouquecedor.” (Fernanda Teixeira). Eu complemento dizendo que reivindicar uma vida sexual fora dos padrões é libertador. Ninguém precisa saber para quantos você deu ou quais as posições que você prefere. O importante é que você, mulher e mãe, não esqueça de que antes de ser mãe, você é mulher. Separe tempo para exercer papéis de descanso, de diversão, de férias, de amor-próprio. Sem esses papéis, não há vida; apenas existência.]]></description>
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<p class="wp-block-paragraph">Uma mulher criou perfil no Tinder e na descrição, entre outras coisas, escreveu que era mãe. Segundo ela, isso era um experimento para mostrar o quanto as mães solteiras são discriminadas por estarem em busca de um parceiro. A forma como ela foi tratada por alguns homens é chocante e chamou a minha atenção para um assunto que até então, me parecia muito normal. Mas que na verdade, não é não.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Quando uma mulher vira mãe, parece que ela se torna uma espécie de santa: não come, não dorme e faz milagres! A sociedade coloca as mães num pedestal – sabiam que o dia das mães só perde para o natal em compras? Mãe que é mãe não erra, sabe de tudo, faz profecia (que se cumpre, incrível!). E claro, mãe que é mãe, não faz sexo.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Uma pessoa que não entende o esquema dos papéis sociais pode ter muita dificuldade em entender que um ser humano pode exercer funções variadas sem que uma anule a outra. Uma única pessoa pode ser mulher, mãe, filha, profissional e faxineira. Geralmente a gente exerce muitos outros papéis além disso, tanto mulheres quanto homens. Esse jogo de identidade é natural, faz parte da vida de todo mundo.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">O ‘papel mãe‘ já começa com sexo. Aliás, só existe mãe porque a mulher fez sexo, né? O período de gestação mexe com a libido da mulher, muitas vezes a vontade de fazer sexo aumenta nos meses em que carrega o filho. A criança nasce pela vagina e é alimentada pelos seios. Todo o processo maternal está intimamente ligado ao sexo. Então porque nos incomodamos quando vemos mães sexualmente livres? Ou porque é impossível imaginar sua mãe transando com alguém?</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Elementar, meu caro leitor. Porque em momentos como esse, elas estão exercendo mais do que um papel ao mesmo tempo. Explico: quando você vai à praia, não usa terno nem leva papelada de escritório, porque ali, naquele momento, você está no papel de descanso. O mesmo acontece quando tem que ir ao escritório, ninguém vai de havaianas e bermudão, porque naquele momento, o papel a desempenhar é o de profissional.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Nunca vi um casal que tivesse relação sexual na frente dos filhos, porque o papel de pai/mãe contrasta com o papel de amantes. Por isso sentimos estranheza quando vemos pessoas misturando papéis sociais. Isso não quer dizer que é errado, nem certo. O fato de não concordar com as atitudes dos outros não dá o direito de xingá-lo, maltratá-lo e humilhá-lo, que foi o que aconteceu com a mãe no Tinder.</p>



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<p class="wp-block-paragraph">Ela foi xingada, foi julgada de estar procurando macho ao invés de cuidar do filho, foi julgada por estar solteira e tantos outros absurdos. Mas naquele momento ela não era mãe, ela era mulher! Com as necessidades e complexidades que qualquer outra mulher teria, incluindo as mães dos acusadores. </p>



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<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>“Ser mulher não é fácil. Ser mulher e mãe, menos ainda. Ser mulher, mãe e reivindicar uma vida social fora dos padrões patriarcais, é enlouquecedor.”</em> (Fernanda Teixeira). <em>Eu complemento dizendo que reivindicar uma vida sexual fora dos padrões é libertador. </em></p></blockquote></figure>



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<p class="wp-block-paragraph">Ninguém precisa saber para quantos você deu ou quais as posições que você prefere. O importante é que você, mulher e mãe, não esqueça de que antes de ser mãe, você é mulher. Separe tempo para exercer papéis de descanso, de diversão, de férias, de amor-próprio. Sem esses papéis, não há vida; apenas existência.</p>



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		<title>Vergonha do Corpo</title>
		<link>https://marinarotty.com/vergonha-do-corpo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Rotty]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jun 2022 08:17:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoestima]]></category>
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					<description><![CDATA[Não importa altura, cor do cabelo e muito menos peso: todo mundo já sentiu (ou vai sentir) vergonha do próprio corpo alguma vez na vida. Essa sensação de que você não está adequado vem do padrão de beleza que a sociedade estabelece através da mídia. Além disso, quanto mais você se compara com os outros, mais insegurança você sente porque se coloca em posição inferior ou superior. E ambos são prejudiciais no processo do autoconhecimento porque alimenta a ilusão de que todos os corpos são iguais. Semelhantes Por mais que todos tenham olhos, nariz e boca, nenhum é igual ao outro. Nem mesmo as linhas quase invisíveis que desenham a pele são iguais. Quando olhamos para o que nos difere dos outros temos duas opções: ficamos tristes por não sermos iguais ou felizes por não sermos iguais. E o que regula nossas emoções (sentir tristeza ou felicidade) são as nossas crenças. Quando acreditamos que o padrão de beleza é o ideal para nós, sentimos vergonha por não estarmos nele. Acreditamos que só estando dentro de um padrão é possível ser aceito. É preciso mudar essa forma de pensar, até porque, se não nos aceitarmos como somos, como querer que os outros nos aceitem? Autoconhecimento O primeiro passo para não sentir mais vergonha do corpo é conhecer cada parte dele. E quando encontrar dificuldade de olhar e admirar alguma parte, é provável que seu problema esteja relacionado àquele cantinho. Mantenha uma relação íntima com seu corpo, use vibradores, tenha sensações diferentes em locais diferentes. É isso o que chamam de explorar o corpo e é indispensável para o processo de autoconhecimento corporal. Também é importante entender que existem vários tipos de beleza. Desenvolva a sua própria &#8220;tabela&#8221; do que é bonito e lembre-se: a aparência física é só mais um atributo e nunca deve ser o mais importante. Não se compare. Ninguém tem a sua história de vida e cada um tem seu próprio tempo de entendimento. Comparar-se é desrespeitar o seu processo individual de desenvolvimento. Valorize seus aspectos positivos identificando-os e doando tempo para eles. Seja cozinhar bem ou dirigir um caminhão, não despreze suas qualidades. Quando você se valoriza, você diminui a insegurança. E se depois de todo o processo de autoconhecimento você concluir que precisa mudar, mude sem medo. Tem que fazer exercícios? Faça. O seu negócio é dieta? Faça. Só uma cirurgia resolve? Faça. Quanto mais luz você joga na escuridão, menos escura ela fica. Marina Rotty Atenção: agir para alcançar seus objetivos só depende de você, mas se ficar muito difícil conte sempre com um psicólogo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Não importa altura, cor do cabelo e muito menos peso: todo mundo já sentiu (ou vai sentir) vergonha do próprio corpo alguma vez na vida. Essa sensação de que você não está adequado vem do padrão de beleza que a sociedade estabelece através da mídia. Além disso, quanto mais você se compara com os outros, mais insegurança você sente porque se coloca em posição inferior ou superior. E ambos são prejudiciais no processo do autoconhecimento porque alimenta a ilusão de que todos os corpos são iguais.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Semelhantes</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Por mais que todos tenham olhos, nariz e boca, nenhum é igual ao outro. Nem mesmo as linhas quase invisíveis que desenham a pele são iguais. Quando olhamos para o que nos difere dos outros temos duas opções: ficamos tristes por não sermos iguais ou felizes por não sermos iguais. E o que regula nossas emoções (sentir tristeza ou felicidade) são as nossas crenças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando acreditamos que o padrão de beleza é o ideal para nós, sentimos vergonha por não estarmos nele. Acreditamos que só estando dentro de um padrão é possível ser aceito. É preciso mudar essa forma de pensar, até porque, se não nos aceitarmos como somos, como querer que os outros nos aceitem?</p>



<h2 class="wp-block-heading">Autoconhecimento</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro passo para não sentir mais vergonha do corpo é conhecer cada parte dele. E quando encontrar dificuldade de olhar e admirar alguma parte, é provável que seu problema esteja relacionado àquele cantinho. Mantenha uma relação íntima com seu corpo, use vibradores, tenha sensações diferentes em locais diferentes. É isso o que chamam de explorar o corpo e é indispensável para o processo de autoconhecimento corporal. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Também é importante entender que existem vários tipos de beleza. Desenvolva a sua própria &#8220;tabela&#8221; do que é bonito e lembre-se: a aparência física é só mais um atributo e nunca deve ser o mais importante. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Não se compare. Ninguém tem a sua história de vida e cada um tem seu próprio tempo de entendimento. Comparar-se é desrespeitar o seu processo individual de desenvolvimento. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Valorize seus aspectos positivos identificando-os e doando tempo para eles. Seja cozinhar bem ou dirigir um caminhão, não despreze suas qualidades. Quando você se valoriza, você diminui a insegurança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E se depois de todo o processo de autoconhecimento você concluir que precisa mudar, mude sem medo. Tem que fazer exercícios? Faça. O seu negócio é dieta? Faça. Só uma cirurgia resolve? Faça. </p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Quanto mais luz você joga na escuridão, menos escura ela fica.</p><cite>Marina Rotty</cite></blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Atenção: agir para alcançar seus objetivos só depende de você, mas se ficar muito difícil conte sempre com um psicólogo.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Porque nos comparamos tanto</title>
		<link>https://marinarotty.com/porque-nos-comparamos-tanto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marina Rotty]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 May 2022 16:16:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autoestima]]></category>
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					<description><![CDATA[A comparação é a arte de estragar a vida. Em um mundo onde a comparação é um costume, não é fácil acreditar que somos amados pelo que somos. Nos comparamos porque precisamos saber nosso lugar no mundo ou no grupo em que vivemos. É uma extensão da própria identidade: somos quem pensamos que somos e somos também o que os outros pensam que somos. Teoria de Festinger A teoria da comparação social desenvolvida por Festinger aponta como princípio central o fato dos sujeitos utilizarem da comparação de si próprios com outros indivíduos sempre que são confrontados com questões: como os outros são, o que podem ou não fazer, o que podem ou não conquistar. São questionamentos inerentes ao ser humano que recorre a informações externas a fim de obter conhecimento sobre si e o mundo. Estudos indicam que a frequência da comparação social está diretamente relacionada ao desenvolvimento de insatisfação corporal tanto em homens quanto em mulheres. Quando estamos insatisfeitos nos comparamos com pessoas que julgamos superiores a nós, e isso traz mais insatisfação, prejudicando nossa percepção interna de quem somos e onde estamos posicionados no mundo. Por isso é importante usar a comparação a nosso favor, trocando a linha comparativa vertical (superior x inferior) pela horizontal (somos diferentes). A comparação pode ser um processo natural, mas deve ser um processo consciente.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A comparação é a arte de estragar a vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em um mundo onde a comparação é um costume, não é fácil acreditar que somos amados pelo que somos. Nos comparamos porque precisamos saber nosso lugar no mundo ou no grupo em que vivemos. É uma extensão da própria identidade: somos quem pensamos que somos e somos também o que os outros pensam que somos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Teoria de Festinger</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A teoria da comparação social desenvolvida por Festinger aponta como princípio central o fato dos sujeitos utilizarem da comparação de si próprios com outros indivíduos sempre que são confrontados com questões: como os outros são, o que podem ou não fazer, o que podem ou não conquistar. São questionamentos inerentes ao ser humano que recorre a informações externas a fim de obter conhecimento sobre si e o mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos indicam que a frequência da comparação social está diretamente relacionada ao desenvolvimento de insatisfação corporal tanto em homens quanto em mulheres. Quando estamos insatisfeitos nos comparamos com pessoas que julgamos superiores a nós, e isso traz mais insatisfação, prejudicando nossa percepção interna de quem somos e onde estamos posicionados no mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso é importante usar a comparação a nosso favor, trocando a linha comparativa vertical (superior x inferior) pela horizontal (somos diferentes). A comparação pode ser um processo natural, mas deve ser um processo consciente.</p>
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